Em resumo
Veias visíveis nas mãos e no dorso dos pés quase sempre são normais. Vasinhos no rosto costumam ter relação com pele, sol e rosácea, não com doença venosa. Já varizes na parte de trás da coxa, nas nádegas ou na vulva podem vir das veias da pelve e merecem investigação com eco-Doppler.
Veias dilatadas não aparecem só na panturrilha. Pés, mãos, rosto, coxas e região íntima também podem mostrar veias visíveis ou vasinhos, e o significado muda muito de um lugar para outro. Em alguns casos é apenas anatomia; em outros, é sinal de refluxo em veias maiores ou de origem pélvica.
Varizes no pé
O dorso do pé tem uma rede de veias superficiais que é naturalmente visível, principalmente em pessoas magras, no calor e no fim do dia. Essas veias, sozinhas, não indicam doença.
O sinal que merece atenção é outro. Pequenos vasos finos, arroxeados e dispostos em leque ao redor do tornozelo e na borda interna do pé recebem o nome de coroa flebectásica. Na revisão de 2020 da classificação CEAP, essa alteração passou a ser registrada como um sinal de doença venosa mais avançada, porque costuma refletir pressão alta nas veias da perna por tempo prolongado.
Quando há coroa flebectásica, inchaço no tornozelo ou manchas escuras, o passo seguinte é o eco-Doppler venoso, que mostra se existe refluxo nas safenas ou nas perfurantes. O texto sobre quando as varizes no pé preocupam detalha os sinais de alerta e as opções de tratamento.
Varizes no pé também causam desconforto com calçados apertados e podem sangrar com pequenos traumas, porque a pele ali é fina.
O tratamento raramente começa pelo pé. Quando o refluxo vem de uma safena ou de uma perfurante da perna, tratar essa origem costuma reduzir as veias do pé e do tornozelo. Os vasos que sobram podem ser tratados depois, com cuidado redobrado, porque a pele do tornozelo e do pé é fina, cicatriza mais devagar e fica manchada com mais facilidade. Enquanto isso, meias de compressão e caminhadas diárias aliviam o inchaço e a sensação de peso no fim do dia.
Veias saltadas nas mãos
Veias salientes no dorso das mãos são uma das queixas mais comuns e, na grande maioria das vezes, não têm relação com doença. Elas ficam mais aparentes quando:
- a pele afina e perde gordura com a idade;
- a pessoa tem baixo percentual de gordura corporal;
- há exercício físico recente, principalmente de força;
- o ambiente está quente ou a mão fica abaixo do nível do coração.
As veias das mãos não têm o mesmo mecanismo de refluxo das pernas, porque não precisam vencer a gravidade da mesma maneira. Por isso raramente evoluem com inchaço ou feridas.
O incômodo costuma ser estético. Existem tratamentos para diminuir essas veias, como escleroterapia, microcirurgia e laser, mas a indicação é discutida. As veias das mãos são usadas para coleta de sangue e soro, e o resultado estético nem sempre compensa os riscos, que incluem manchas e inflamação. O texto sobre tratamento a laser das veias das mãos apresenta essa discussão.
Merece avaliação a veia da mão que fica dolorosa, vermelha e endurecida, geralmente depois de um acesso venoso. Nesse caso pode ser uma flebite superficial.
Algumas medidas simples deixam as veias menos aparentes no dia a dia: elevar as mãos acima do nível do coração por alguns minutos, evitar água muito quente e usar hidratante e protetor solar, que conservam a espessura e a qualidade da pele com o passar dos anos.
Vasinhos no rosto
Os vasinhos do rosto, chamados telangiectasias faciais, aparecem com mais frequência no nariz, nas bochechas e no queixo. Eles têm causas diferentes dos vasinhos das pernas: exposição solar acumulada, pele clara, rosácea, predisposição familiar e, em alguns casos, alterações hormonais ou uso prolongado de corticoide na pele.
Não se trata de insuficiência venosa, e o eco-Doppler das pernas não tem papel aqui. O tratamento mais usado é o laser ou a luz intensa pulsada, feito por dermatologista ou por cirurgião vascular com experiência na técnica. A escleroterapia, comum nas pernas, costuma ser evitada no rosto. Um resumo das opções para vasinhos no rosto mostra o que se espera de cada sessão.
Como as causas continuam atuando, novos vasinhos podem surgir. Protetor solar diário e controle da rosácea fazem parte do tratamento.
Varizes na coxa
As varizes da coxa têm origens diferentes conforme a posição, e essa distinção orienta o tratamento:
- Face interna da coxa. Geralmente vêm da safena magna ou de uma de suas veias acessórias, e o tratamento costuma incluir fechar o segmento com refluxo.
- Face lateral da coxa. Vasinhos e veias azuladas na lateral, do quadril ao joelho, são frequentes em mulheres e muitas vezes vêm de uma rede de veias reticulares própria dessa região. Respondem bem à escleroterapia e ao laser.
- Parte de trás da coxa e atrás do joelho. Podem vir da safena parva, de perfurantes ou das veias da pelve. É justamente aqui que a origem pélvica costuma passar despercebida.
As pessoas chamam de «microvarizes» os vasinhos e as veias finas dessas regiões. Eles são tratados como os vasinhos das pernas, desde que o eco-Doppler descarte uma veia maior alimentando o conjunto.
Varizes na região íntima e nas nádegas
Varizes na vulva, no períneo e nas nádegas quase sempre têm relação com as veias da pelve. Elas aparecem com frequência na gravidez, pelo aumento do volume de sangue e pela compressão do útero, e muitas regridem depois do parto. A página de varizes na gravidez trata dos cuidados nesse período.
Quando persistem, voltam a cada gestação ou surgem fora da gravidez, é preciso investigar a insuficiência das veias pélvicas. Os sinais associados incluem sensação de peso na pelve que piora em pé, dor na relação sexual e varizes que descem pela parte interna ou de trás da coxa. A página sobre varizes pélvicas explica o diagnóstico e os tratamentos, que vão da escleroterapia local à embolização das veias pélvicas. Um vídeo sobre dor pélvica, varizes e endometriose ajuda a diferenciar as causas mais comuns desse tipo de dor.
Tratar só as varizes visíveis, sem cuidar da origem pélvica, costuma levar à recidiva.
Veias no abdome e no peito
Veias que se tornam visíveis de forma rápida no abdome, no tórax ou na raiz das coxas podem indicar que o sangue está desviando de uma veia grande obstruída. Esse quadro é raro, mas precisa de investigação.
Procure atendimento imediato se as veias dilatadas no abdome, no peito ou em uma perna surgirem de repente junto com inchaço importante, dor ou falta de ar.
Como é feita a avaliação
Seja qual for o lugar, a pergunta é a mesma: a veia visível é só anatomia ou existe uma causa por trás? A consulta costuma seguir três passos.
- Conversa sobre sintomas e história. Dor, peso, inchaço, gestações, tromboses anteriores e tratamentos já feitos ajudam a separar o que é estético do que é doença.
- Exame em pé. As veias das pernas, da coxa e da região íntima só mostram o tamanho real com a pessoa em pé, e é assim que o médico procura a coroa flebectásica, manchas e pontos de saída de varizes da pelve.
- Eco-Doppler quando há indicação. Ele é necessário quando existem sintomas, alterações de pele, varizes que voltaram depois de tratamento ou suspeita de origem pélvica. Para veias das mãos e vasinhos isolados do rosto, em geral não é preciso.
Na maioria das vezes, o exame clínico já responde. Quando há dúvida, o eco-Doppler define a origem e evita o erro mais comum: tratar só o que aparece na superfície e deixar ativa a veia que alimenta o problema.
Perguntas frequentes
Veias saltadas nas mãos são problema de circulação?
Quase nunca. As veias das mãos ficam mais visíveis com a idade, porque a pele afina e perde gordura, e também em quem tem pouca gordura corporal, faz exercício ou está em ambiente quente. Só vale investigar quando a veia está dolorosa, endurecida ou vermelha, ou quando o inchaço da mão aparece de repente.
Varizes no pé são perigosas?
As veias do dorso do pé costumam ser normais. Pequenos vasos dilatados em leque ao redor do tornozelo e na borda interna do pé, porém, podem indicar pressão alta nas veias da perna e fazem parte da classificação da doença venosa. Nesse caso, a avaliação com eco-Doppler mostra se existe refluxo a tratar.
Vasinhos no rosto se tratam como os das pernas?
Não da mesma forma. No rosto, os vasinhos costumam estar ligados a sol, pele clara, rosácea e predisposição familiar, e o tratamento mais usado é o laser ou a luz pulsada. A escleroterapia, comum nas pernas, costuma ser evitada no rosto. Proteção solar e controle da rosácea ajudam a evitar que voltem.
Varizes na vulva desaparecem depois da gravidez?
Muitas regridem nas semanas seguintes ao parto, porque o volume de sangue e a compressão do útero diminuem. Quando persistem, voltam em cada gestação ou aparecem fora da gravidez, é preciso investigar se as veias da pelve estão alimentando essas varizes, o que muda o tratamento.
Referências
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Vasinhos nas pernas
Vasinhos são telangiectasias, veias finas visíveis na pele. Saiba quando são só estéticos, quando indicam refluxo e como funcionam esclero, laser e CLaCS.
Varizes pélvicas e síndrome da congestão pélvica
Dor pélvica que piora em pé, varizes na vulva, nádegas ou parte de trás da coxa: como as varizes pélvicas são diagnosticadas e quando a embolização é indicada.
Laser transdérmico para vasinhos
Laser transdérmico para vasinhos nas pernas: comprimento de onda, resfriamento da pele, fototipos, combinação com escleroterapia (CLaCS) e limites do método.
Eco-Doppler venoso
O que o eco-Doppler venoso mostra, por que é feito em pé, quanto tempo leva, como se preparar e por que nenhum tratamento de varizes deveria começar sem ele.
Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
