Em resumo
Esta página responde, em poucas linhas, às dúvidas mais comuns sobre varizes e vasinhos. Cada resposta resume um tema que tem página própria no guia, onde o assunto é tratado com mais profundidade.
Esta página reúne, em respostas curtas, as dúvidas que mais aparecem em consultas sobre varizes e vasinhos. Cada resposta resume um tema que tem página própria no guia. Para entender a doença, comece por o que são varizes; para comparar as opções, veja tratamentos; para saber como as veias são examinadas, leia sobre o eco-Doppler venoso. Crenças populares são analisadas em mitos e verdades, e os termos técnicos dos laudos estão no glossário.
Quem quiser ir além encontra respostas às dúvidas mais frequentes organizadas por tema, uma discussão sobre se as varizes voltam depois do tratamento e um resumo dos tratamentos de varizes que funcionam.
Perguntas e respostas
O que são varizes?
Varizes são veias superficiais das pernas que se dilataram, ficaram tortuosas e perderam a capacidade de conduzir o sangue de volta ao coração com eficiência. As válvulas no interior delas não fecham bem, e o sangue reflui para baixo quando a pessoa está em pé. Isso aumenta a pressão nas veias, que se distendem cada vez mais, e pode causar peso, dor e inchaço.
Varizes são hereditárias?
A predisposição familiar é o fator de risco mais importante. Quem tem pai, mãe ou irmãos com varizes tem chance maior de desenvolvê-las, embora não exista um gene único responsável. A herança aumenta a probabilidade, mas não determina tudo: idade, gestações, hormônios, excesso de peso e longos períodos parado também influenciam quando e com que intensidade as varizes aparecem.
Qual é a diferença entre vasinhos e varizes?
Vasinhos, ou telangiectasias, são vasos muito finos da pele, com até cerca de 1 mm, vermelhos ou arroxeados e sem relevo. Varizes são veias maiores, a partir de cerca de 3 mm, geralmente saltadas e tortuosas. Entre os dois estão as veias reticulares, azuladas. Vasinhos costumam ser uma questão estética, enquanto varizes podem causar sintomas e complicações e pedem avaliação mais detalhada.
Varizes podem causar trombose?
Varizes aumentam o risco de tromboflebite, que é a formação de coágulo com inflamação numa veia superficial, percebida como um cordão endurecido, vermelho e dolorido. A trombose venosa profunda é menos comum, mas pessoas com varizes têm risco um pouco maior, especialmente após cirurgias, imobilização ou viagens longas. Dor e inchaço súbitos em uma perna exigem avaliação no mesmo dia.
Quais sintomas indicam que as varizes precisam de avaliação?
Peso, dor, cansaço, queimação ou câimbras nas pernas, inchaço no fim do dia, coceira persistente, manchas escuras perto do tornozelo, pele endurecida e feridas que demoram a cicatrizar são motivos para consulta. Sangramento de uma variz, cordão endurecido e doloroso sobre uma veia ou inchaço súbito de uma perna com dor pedem atendimento rápido.
Qual médico trata varizes?
Varizes são tratadas pelo angiologista e pelo cirurgião vascular. O angiologista se dedica ao diagnóstico e ao tratamento clínico das doenças dos vasos; o cirurgião vascular também realiza procedimentos, como laser endovenoso, radiofrequência, escleroterapia com espuma e microcirurgia. No Brasil, muitos profissionais têm as duas formações. Vale conferir o registro de especialista (RQE) no conselho regional de medicina.
Que exame é usado para avaliar varizes?
O principal exame é o eco-Doppler venoso, uma ultrassonografia que mostra a anatomia das veias e a direção do fluxo do sangue. Ele identifica quais veias têm refluxo, mede o calibre das safenas, localiza veias perfurantes doentes e descarta trombose. Não usa radiação e é a base para planejar qualquer tratamento de varizes.
Varizes têm cura?
As varizes existentes podem ser eliminadas, e os sintomas costumam melhorar muito com o tratamento. A tendência a formar novas veias doentes, porém, não desaparece, porque depende de predisposição genética e de fatores que continuam presentes. Por isso a doença venosa é considerada crônica: o tratamento resolve o problema atual, e o acompanhamento periódico permite cuidar cedo de novas varizes.
Qual é o melhor tratamento para varizes?
Não existe uma técnica melhor para todos. Para safenas com refluxo, as diretrizes atuais preferem as técnicas endovenosas, como laser e radiofrequência, à retirada cirúrgica tradicional. Varizes tortuosas próximas à pele podem ser retiradas por microcirurgia ou tratadas com espuma, e vasinhos respondem à escleroterapia e ao laser transdérmico. O plano depende do eco-Doppler, dos sintomas e das características de cada perna.
O laser endovenoso dói?
O procedimento costuma ser feito com anestesia local aplicada ao redor da veia, às vezes associada a sedação. Durante a aplicação, a pessoa pode sentir pressão, mas não dor intensa. Depois, é comum sentir repuxamento e sensibilidade no trajeto da veia tratada por alguns dias, geralmente controlados com analgésicos comuns e caminhada.
Quanto tempo de repouso é preciso depois de tratar varizes?
Depois de técnicas endovenosas, como laser e radiofrequência, a recomendação atual é caminhar no mesmo dia, e muitas pessoas voltam ao trabalho em poucos dias. Após microcirurgia extensa ou cirurgia convencional, a recuperação costuma levar mais tempo. Exercícios intensos, sol sobre as pernas e viagens longas costumam ser adiados por algumas semanas, conforme a técnica e a orientação médica.
A aplicação de vasinhos mancha a pele?
Manchas acastanhadas podem aparecer ao longo do trajeto dos vasos tratados. Elas surgem pelo depósito de pigmento do sangue na pele e, na maioria das pessoas, clareiam em alguns meses. Pele morena ou bronzeada, vasos mais calibrosos e exposição ao sol aumentam a chance de manchas. Por isso o tratamento costuma ser feito fora dos períodos de bronzeamento.
Posso tomar sol depois de tratar vasinhos?
O ideal é evitar sol direto nas pernas enquanto houver marcas roxas ou manchas na área tratada, o que costuma levar algumas semanas. A radiação solar estimula a produção de pigmento e aumenta o risco de manchas duradouras. Se a exposição for inevitável, use protetor solar de fator alto e roupas que cubram a região.
A meia de compressão resolve as varizes?
A meia alivia peso, dor e inchaço e protege a perna em situações como pós-operatório, gestação e viagens, mas não faz as varizes desaparecerem. Ela funciona enquanto está sendo usada: ao tirá-la, a pressão nas veias volta a subir. Quando há refluxo que justifique tratamento, a meia é um complemento, não uma alternativa.
Remédios e cremes eliminam varizes?
Não. Os medicamentos flebotônicos, como diosmina e hesperidina, podem reduzir discretamente o inchaço e aliviar sintomas, mas não fecham veias doentes nem corrigem o refluxo. Cremes e géis dão sensação de alívio e ajudam a absorver hematomas, mas não atravessam a pele em quantidade suficiente para modificar uma variz. Chás e receitas caseiras não têm comprovação.
Posso tratar varizes durante a gravidez?
Em geral, o tratamento definitivo é adiado para depois do parto e da amamentação. Muitas varizes que surgem na gestação regridem nos meses seguintes, e procedimentos com esclerosantes ou anestesia costumam ser evitados nessa fase. Durante a gravidez, a conduta se baseia em meias de compressão, caminhada e elevação das pernas. Dor ou inchaço súbito em uma perna exigem avaliação imediata.
As varizes voltam depois da cirurgia?
A veia tratada corretamente não volta a funcionar, mas novas varizes podem surgir com o tempo, porque a predisposição permanece. Também podem ocorrer reabertura de um segmento tratado ou formação de novos vasos na região operada. Controlar o peso, manter-se ativo e fazer avaliações periódicas permite tratar cedo o que aparecer, geralmente com procedimentos menores.
Retirar ou fechar a safena faz falta?
Uma safena com refluxo já não cumpre sua função: em vez de levar o sangue para cima, deixa-o refluir. Fechá-la ou retirá-la desvia o fluxo para as veias profundas, que já conduzem a maior parte do sangue das pernas. Quanto a uma futura ponte de safena, veias doentes não são bons enxertos, e as cirurgias cardíacas também usam artérias e outras veias.
Musculação e corrida pioram as varizes?
Não há evidência de que exercícios causem ou agravem varizes. A contração da panturrilha durante a corrida e a musculação ajuda a esvaziar as veias. Quem tem varizes pode treinar, preferindo cargas moderadas e respiração contínua em vez de prender o ar em esforços máximos. Após procedimentos, o retorno aos treinos deve seguir o prazo orientado pelo médico.
Ficar em pé o dia todo causa varizes?
Longos períodos em pé ou sentado sem movimento aumentam a pressão nas veias das pernas e estão associados a mais sintomas e a maior frequência de varizes em quem tem predisposição. Não são a única causa, mas agravam o quadro. Pausas para caminhar, movimentos com os tornozelos, elevação das pernas no descanso e meias de compressão suave reduzem a sobrecarga.
Qual é a diferença entre lipedema e varizes?
Lipedema é um acúmulo anormal de gordura, geralmente simétrico, nas pernas e às vezes nos braços, que costuma poupar os pés e causa dor ao toque e hematomas fáceis. Varizes são veias dilatadas com refluxo. As duas condições podem coexistir, o que confunde o diagnóstico. O exame clínico e o eco-Doppler ajudam a separar o que é gordura do que é problema venoso.
Quando o inchaço na perna é sinal de alerta?
Inchaço que surge de repente em uma só perna, com dor na panturrilha, calor ou vermelhidão, pode indicar trombose venosa profunda e exige atendimento no mesmo dia. Falta de ar ou dor no peito associadas pedem pronto-socorro imediato. Inchaço nas duas pernas, que piora no fim do dia e melhora com repouso, é mais típico de doença venosa, mas também merece investigação.
Homens também têm varizes?
Sim. As varizes são mais frequentes em mulheres, pela influência hormonal e das gestações, mas também são comuns em homens, sobretudo com histórico familiar, trabalho em pé e excesso de peso. Como muitos homens demoram a procurar avaliação, não é raro que cheguem à consulta com a doença mais avançada, já com manchas, endurecimento da pele ou feridas.
Varizes pélvicas existem?
Sim. Veias da pelve, como as ovarianas, também podem se dilatar e apresentar refluxo. Isso pode causar dor pélvica crônica que piora em pé e após relações sexuais, sensação de peso no baixo ventre e varizes na vulva, na virilha ou na parte de trás da coxa. O diagnóstico usa exames de imagem específicos, e um tratamento frequente é a embolização das veias doentes.
Referências
- European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs
- The 2023 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities
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Angiologista ou cirurgião vascular, sinais que pedem consulta, o que acontece no atendimento, o que levar, perguntas úteis e sinais de promessas enganosas.
Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
