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Laser transdérmico para vasinhos: como funciona e para quem serve

Por Prof. Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e endovascularAtualizado em 5 min de leitura

Em resumo

O laser transdérmico age através da pele, sem agulha: a luz é absorvida pelo sangue dentro do vasinho, que aquece e se fecha. Funciona melhor em telangiectasias e pequenas veias reticulares, exige cuidado em peles morenas ou bronzeadas e não trata varizes calibrosas nem refluxo nas safenas.

O laser transdérmico, também chamado de laser externo ou de superfície, trata vasinhos através da pele, sem agulha e sem cortes. A luz é absorvida pelo sangue dentro do vaso, que aquece, lesa a parede e leva ao fechamento. Funciona melhor em telangiectasias e pequenas veias reticulares e não substitui o tratamento de varizes calibrosas ou do refluxo nas safenas, que costuma ser feito com o laser endovenoso, aplicado por dentro da veia.

Como a luz fecha um vasinho

O princípio se chama fototermólise seletiva. Cada comprimento de onda de luz é absorvido preferencialmente por determinadas substâncias do corpo. Nos vasos, o alvo é a hemoglobina, o pigmento do sangue. Ao absorver a energia, o sangue aquece em frações de segundo e transmite o calor à parede do vaso, que se retrai e se fecha. O corpo reabsorve o vaso tratado nas semanas seguintes.

O ponto delicado do método é que a melanina, pigmento que dá cor à pele, também absorve luz. Quanto mais pigmentada a pele, maior a competição com o alvo e maior o risco de lesão na superfície.

O comprimento de onda faz diferença

Comprimento de onda Tipo de aparelho Uso mais comum
1064 nm Laser Nd:YAG de pulso longo Vasinhos e pequenas veias reticulares das pernas; penetra mais fundo e é menos absorvido pela melanina
532 nm Laser KTP Vasos muito finos e superficiais, sobretudo no rosto
585 a 595 nm Laser de corante pulsado Vasinhos do rosto e outras lesões vasculares da pele

Nas pernas, os vasinhos ficam um pouco mais profundos e costumam estar ligados a veias reticulares. Por isso o laser de 1064 nm é o mais utilizado ali, enquanto comprimentos de onda mais curtos servem melhor aos vasos delicados da face.

Pele, fototipo e bronzeado

Os fototipos descrevem como a pele reage ao sol, das mais claras, que se queimam com facilidade, às mais escuras. Em peles morenas e negras, o laser pode ser usado com parâmetros mais conservadores, mas o risco de manchas escuras, manchas claras e queimaduras é maior. O médico ajusta energia, duração do pulso e tamanho do feixe e pode testar os parâmetros numa área pequena.

Pele bronzeada é um problema à parte: o pigmento recém-formado absorve a luz e aumenta muito a chance de lesão. O tratamento costuma ser adiado até que o bronzeado desapareça, e a proteção solar deve continuar depois das sessões.

Resfriamento: proteção e conforto

Todo laser vascular trabalha junto com algum sistema de resfriamento: uma ponteira gelada em contato com a pele, um jato contínuo de ar frio ou um spray criogênico disparado a cada pulso. O frio protege a camada superficial da pele do calor e reduz a dor. A sensação durante o disparo costuma ser comparada a um elástico batendo na pele, com calor rápido.

Laser e escleroterapia juntos: o que é o CLaCS

CLaCS é a sigla de Cryo-Laser & Cryo-Sclerotherapy, técnica desenvolvida no Brasil que reúne três elementos na mesma sessão:

  1. Visualização das veias com um aparelho de luz infravermelha que projeta sobre a pele as veias nutridoras que não se enxergam a olho nu, recurso descrito como realidade aumentada.
  2. Laser transdérmico de 1064 nm com resfriamento intenso da pele, aplicado sobre vasinhos e veias reticulares.
  3. Escleroterapia complementar, em geral com glicose, nos vasos que o laser não fechou, também com a pele resfriada.

A lógica é usar cada ferramenta onde ela rende mais: o laser nos vasos finos, a injeção nas veias que os alimentam e o frio para reduzir o desconforto. A forma como a técnica é indicada está explicada em técnica CLaCS e suas indicações, e há um texto sobre o CLaCS com menos desconforto para quem tem pouca tolerância à dor. Como qualquer método, o resultado depende da seleção do paciente, e a combinação não trata refluxo em safenas nem varizes calibrosas.

Aparelhos antigos de luz e os lasers atuais

Nas décadas de 1990 e 2000 surgiram plataformas que reuniam luz intensa pulsada e laser num mesmo equipamento, muito divulgadas para o tratamento de varizes e «microvarizes». A luz intensa pulsada não é laser: emite um feixe de vários comprimentos de onda, filtrado, que atinge a pele de forma menos seletiva. Nas pernas, os resultados com esses aparelhos eram irregulares, e manchas e queimaduras preocupavam, especialmente em peles mais escuras.

Os lasers de 1064 nm de pulso longo com resfriamento integrado tornaram o tratamento dos vasinhos das pernas mais previsível. A luz intensa pulsada continua útil em algumas condições do rosto, como vermelhidão difusa. Entender a diferença entre laser e luz intensa pulsada ajuda a perceber por que os dois não são equivalentes.

Como é a sessão e a recuperação

A sessão costuma durar de 15 a 45 minutos, conforme a área. Logo após os disparos, os vasinhos podem escurecer ou sumir de imediato, e a pele fica avermelhada e levemente inchada por algumas horas ou dias. Pequenas crostas e marcas arroxeadas podem aparecer e somem nas semanas seguintes.

É possível voltar ao trabalho no mesmo dia. Nas semanas seguintes, costuma-se recomendar evitar sol sobre a região, calor intenso e depilação com cera quente na área tratada. Em geral são necessárias algumas sessões, com intervalo de semanas, porque parte dos vasos precisa de mais de uma passagem.

Limites do laser transdérmico

  • Não trata a origem do problema quando há refluxo em veias maiores. Nesses casos, os vasinhos voltam a aparecer se a causa não for corrigida, e um eco-Doppler venoso costuma ser pedido antes.
  • Não substitui a escleroterapia na maioria das pernas. As diretrizes de doença venosa colocam a injeção como primeira opção para vasinhos das pernas e o laser como alternativa para vasos muito finos, alergia a esclerosantes, medo de agulha e vasinhos surgidos após aplicações.
  • Pode deixar marcas: manchas escuras ou claras, bolhas e, raramente, cicatrizes, com risco maior em pele bronzeada ou escura.
  • Não impede novos vasinhos, porque a tendência a formá-los continua. A página sobre vasinhos reúne as causas e as demais opções de tratamento.

Perguntas frequentes

Laser para vasinhos dói?

A sensação costuma ser descrita como um elástico batendo na pele, acompanhada de calor rápido. Os aparelhos atuais resfriam a pele antes, durante ou depois de cada disparo, o que reduz bastante o desconforto. A tolerância varia de pessoa para pessoa e conforme a região tratada; em geral, não é necessária anestesia.

Quantas sessões de laser são necessárias para vasinhos?

Costumam ser necessárias algumas sessões, com intervalo de algumas semanas, porque parte dos vasos precisa de mais de uma aplicação para fechar e a pele precisa se recuperar entre elas. O número depende da quantidade e do calibre dos vasinhos, do tipo de pele e da associação com escleroterapia. Novos vasinhos podem surgir com os anos.

Pele morena pode fazer laser para vasinhos?

Pode, com cuidados. A melanina da pele também absorve a luz, e peles mais pigmentadas têm maior risco de manchas e queimaduras. O laser de 1064 nm é o mais adequado nessas situações, com parâmetros ajustados e resfriamento eficiente. Pele bronzeada não deve ser tratada, e um teste em área pequena pode ser feito antes.

Laser é melhor que escleroterapia para vasinhos?

Não há uma técnica superior para todos. Nas pernas, as diretrizes colocam a escleroterapia como primeira opção e o laser como alternativa, útil para vasos muito finos, para quem tem alergia a esclerosantes ou medo de agulha e para vasinhos surgidos após aplicações. Em muitos casos, as duas técnicas são combinadas na mesma sessão.

Referências

  1. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs
  2. Cryo-laser and cryo-sclerotherapy guided by Augmented Reality (Phlebologie, 2014)

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.