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Varizes Online

Cuidados e dúvidas

Prevenção de varizes: o que realmente faz diferença

Por Prof. Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e endovascularAtualizado em 5 min de leitura

Em resumo

Não há como garantir que as varizes não apareçam, porque o fator mais forte é a predisposição familiar. O que funciona é reduzir a pressão nas veias das pernas: movimentar a panturrilha, fazer pausas em longos períodos parado, controlar o peso e elevar as pernas. Essas medidas aliviam sintomas e, com o diagnóstico precoce, evitam complicações.

Não existe forma garantida de impedir o aparecimento de varizes, porque o fator mais forte é a predisposição herdada da família. O que está ao alcance de cada pessoa é reduzir a pressão que as veias das pernas suportam ao longo do dia. Isso diminui sintomas, pode retardar a progressão e, junto com o diagnóstico precoce, evita boa parte das complicações.

O que não depende de você

Alguns fatores de risco não podem ser modificados, e conhecê-los ajuda a saber quem precisa de mais atenção:

  • histórico familiar, o fator isolado mais importante;
  • sexo feminino, pela ação dos hormônios sobre a parede das veias;
  • idade, com desgaste progressivo das válvulas e da parede venosa;
  • gestações, sobretudo quando repetidas;
  • trombose venosa profunda no passado, que pode danificar válvulas.

Os mecanismos por trás de cada um estão em causas e fatores de risco. Ter esses fatores não significa que as varizes vão surgir, mas justifica cuidar mais cedo do que pode ser mudado.

A pressão dentro das veias é o ponto central

Quando você fica em pé e parado, o sangue das pernas precisa vencer a gravidade para voltar ao coração. A pressão nas veias do tornozelo passa a corresponder ao peso de toda a coluna de sangue acima dele. As válvulas dividem essa coluna em segmentos, mas não bastam sozinhas.

O que realmente esvazia as veias é o movimento. A cada passo, os músculos da panturrilha se contraem, espremem as veias profundas e empurram o sangue para cima, e a pressão no tornozelo cai de forma acentuada. Por isso a panturrilha é chamada de «coração periférico». Quando as válvulas estão doentes ou a musculatura trabalha pouco, a pressão fica alta por horas, a parede das veias se distende e o líquido escapa para os tecidos, causando inchaço.

Quase tudo o que funciona na prevenção atua sobre esse mecanismo.

Movimento: faça a panturrilha trabalhar

Caminhar é a atividade mais eficiente para as veias, porque aciona a bomba da panturrilha de forma rítmica. Bicicleta, natação e hidroginástica também ajudam; na água, a pressão externa ainda favorece o retorno do sangue. Musculação não causa varizes e fortalece a panturrilha, desde que se evite prender a respiração em esforços máximos.

Mais do que a academia no fim do dia, contam as pausas durante longos períodos parados. A cada hora sentado ou em pé no mesmo lugar, alguns minutos de caminhada ou movimentos de ficar na ponta dos pés e de flexionar os tornozelos reduzem o acúmulo de sangue. O papel da caminhada como aliada das veias é detalhado em outro texto.

Peso corporal

O excesso de peso aumenta a pressão dentro do abdome, o que dificulta a passagem do sangue das pernas para o tronco. Pessoas com obesidade têm mais sintomas venosos, formas mais avançadas de insuficiência venosa e mais dificuldade de cicatrização de feridas. Perder peso não faz varizes regredirem, mas costuma aliviar peso e inchaço e melhora os resultados dos tratamentos.

Nem todo aumento de volume nas pernas é gordura comum ou problema de veia. Acúmulo de gordura simétrico, doloroso ao toque e que poupa os pés pode indicar lipedema, como explica a página lipedema ou varizes.

Trabalho em pé ou sentado por muitas horas

Profissões que obrigam a ficar muito tempo parado, em pé ou sentado, estão associadas a mais sintomas venosos. Quando não é possível mudar a rotina, algumas adaptações diminuem a sobrecarga: alternar posições, apoiar os pés num suporte sob a mesa, levantar-se para caminhar a intervalos e evitar ficar com os joelhos dobrados por longos períodos.

Meias de compressão suave reduzem o inchaço do fim do dia em quem trabalha em pé. Não há boa evidência de que evitem o surgimento de varizes, mas o alívio é real; a escolha do modelo está em meias de compressão.

Elevar as pernas

Deitar com as pernas acima do nível do coração por 15 a 30 minutos, uma ou mais vezes ao dia, usa a gravidade a favor do retorno venoso e reduz o inchaço. Apoiar as pernas numa banqueta ajuda pouco se os pés continuarem abaixo do quadril. Quem tem muito inchaço no fim do dia pode discutir com o médico elevar levemente os pés da cama. A medida alivia sintomas, mas não corrige válvulas doentes.

Calor, roupas e calçados

O calor dilata as veias. Banhos muito quentes e demorados, sauna e longas exposições das pernas ao sol não causam varizes, mas pioram peso e inchaço em quem já tem a doença. Terminar o banho com água fria nas pernas pode trazer sensação de alívio.

Não há boa evidência de que roupas justas causem varizes. Peças que apertam só um ponto, como elásticos que marcam a coxa ou a panturrilha, podem incomodar e dificultar o retorno do sangue enquanto estão sendo usadas. Salto muito alto limita o movimento do tornozelo e reduz a eficiência da bomba da panturrilha; o uso eventual não é problema, e salto baixo ou médio no dia a dia é mais confortável para as veias.

Gravidez, hormônios e viagens

A gestação reúne vários fatores ao mesmo tempo: aumento do volume de sangue, ação hormonal sobre a parede das veias e compressão das veias da pelve pelo útero. Os cuidados específicos dessa fase estão em varizes na gravidez.

Anticoncepcionais e reposição hormonal com estrogênio preocupam mais pelo aumento do risco de trombose do que pelas varizes em si. Em viagens longas, levantar-se e caminhar, mexer os tornozelos, beber água e, quando indicado, usar meias de compressão reduzem o risco de trombose venosa profunda.

Diagnóstico precoce também é prevenção

Prevenir complicações é tão importante quanto tentar evitar as varizes. Manchas escuras perto do tornozelo, pele endurecida, coceira persistente, inchaço que não melhora com repouso e feridas que demoram a cicatrizar indicam doença venosa mais avançada e merecem avaliação, assim como varizes que doem ou sangram. Os sinais que justificam consulta estão em quando procurar um cirurgião vascular.

Para quem quer um roteiro objetivo, há medidas práticas para prevenir varizes e uma lista de hábitos que ajudam a prevenir varizes.

Perguntas frequentes

Dá para evitar varizes se minha mãe tem?

A predisposição herdada não pode ser eliminada, mas é possível reduzir a sobrecarga sobre as veias. Manter-se ativo, fazer pausas em longos períodos parado, controlar o peso e elevar as pernas no descanso diminuem a pressão venosa e os sintomas. Com histórico familiar forte, vale fazer avaliação ao primeiro sinal de varizes, peso ou inchaço.

Qual exercício é melhor para quem tem tendência a varizes?

Caminhar é o mais eficiente, porque ativa a bomba da panturrilha a cada passo. Bicicleta, natação e hidroginástica também são boas opções, e na água a pressão externa favorece o retorno do sangue. Musculação é permitida e fortalece a panturrilha; basta evitar prender a respiração em esforços máximos. A regularidade importa mais do que a intensidade.

Usar meia elástica previne varizes?

Não há boa evidência de que a meia impeça o surgimento de varizes. Ela reduz o inchaço e o cansaço no fim do dia, sobretudo em quem trabalha em pé ou sentado, e alivia sintomas de quem já tem a doença. Também é indicada em viagens longas, na gestação e após procedimentos, conforme orientação médica.

Ficar sentado o dia todo faz mal para as veias?

Ficar sentado por horas sem se mexer reduz a ação da bomba da panturrilha e aumenta o acúmulo de sangue nas pernas, o que piora inchaço e sintomas em quem tem predisposição. Levantar-se a cada hora para caminhar alguns minutos, mexer os tornozelos e evitar ficar muito tempo com os joelhos dobrados reduzem esse efeito.

Referências

  1. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs
  2. The 2023 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.