Em resumo
A escleroterapia é a injeção, com agulhas muito finas, de uma substância que lesa a parede de vasinhos e veias reticulares e faz com que se fechem e sejam reabsorvidos. É o tratamento mais usado para esses vasos, costuma exigir algumas sessões e não substitui o tratamento de varizes calibrosas ou de refluxo nas safenas.
A escleroterapia, conhecida como aplicação ou secagem de vasinhos, trata vasos finos da pele com injeções de uma substância esclerosante. O líquido lesa o revestimento interno do vaso, que se fecha, deixa de receber sangue e é reabsorvido pelo organismo ao longo de semanas. É o método mais usado para telangiectasias e veias reticulares das pernas, mas não é a solução para varizes calibrosas nem para o refluxo nas veias safenas.
Para quais vasos ela é indicada
A escleroterapia líquida foi pensada para os vasos mais superficiais e finos, que na classificação CEAP correspondem à classe C1. Veias maiores exigem outras técnicas, porque o líquido se dilui no sangue antes de agir sobre a parede.
| Tipo de vaso | Aspecto | Calibre aproximado | Abordagem mais comum |
|---|---|---|---|
| Telangiectasias (vasinhos) | Fios vermelhos ou arroxeados, às vezes em forma de aranha | Até 1 mm | Escleroterapia líquida ou laser transdérmico |
| Veias reticulares | Veias azuladas ou esverdeadas, sem relevo | 1 a 3 mm | Escleroterapia líquida, às vezes espuma |
| Varizes | Veias dilatadas, tortuosas e salientes | Acima de 3 mm | Espuma, ablação térmica ou microcirurgia |
Além do aspecto estético, vasinhos podem causar ardor, coceira ou sensibilidade localizada. Quando a queixa principal é peso e cansaço nas pernas, a causa costuma estar em veias maiores, e isso muda o planejamento.
Por que avaliar as veias maiores antes
Vasinhos muitas vezes são abastecidos por veias reticulares próximas, chamadas veias nutridoras, e em parte das pessoas por refluxo em veias de maior calibre. Tratar só o que aparece na superfície, sem cuidar da origem, costuma levar ao reaparecimento rápido dos vasos.
Por isso, quando há sintomas, varizes visíveis, inchaço ou vasinhos concentrados ao redor do tornozelo, o cirurgião vascular pode pedir um eco-Doppler venoso antes de começar. Se o exame mostrar insuficiência venosa nas safenas, ela geralmente é tratada primeiro, e os vasinhos ficam para a etapa final.
Como a substância age
Os esclerosantes usados em vasinhos se dividem em dois grandes grupos:
- Detergentes, como o polidocanol: desfazem parte da membrana das células que revestem o vaso. Podem ser usados na forma líquida ou transformados em espuma, que é a base da escleroterapia com espuma para veias maiores.
- Osmóticos, como a glicose hipertônica: retiram água das células da parede do vaso. São muito usados no Brasil para vasinhos, isoladamente ou combinados a outras técnicas.
A escolha leva em conta o calibre e a localização dos vasos, o tipo de pele, o histórico de alergias e a experiência de quem aplica. A concentração também é ajustada: substância forte demais em vaso fino aumenta o risco de manchas e feridas, e fraca demais não fecha o vaso.
Como é uma sessão
A pele é limpa e o médico injeta pequenas quantidades da substância com agulhas muito finas, em geral com auxílio de lupa ou de luz que realça as veias. Uma sessão costuma durar de 20 a 40 minutos e, na maioria dos casos, dispensa anestesia. A sensação é de picadas e ardor que passam em poucos segundos, e jatos de ar frio sobre a pele reduzem o desconforto.
Para quem tem pavor de agulha ou pouca tolerância à dor, algumas clínicas associam a aplicação à sedação com gás do riso, uma sedação consciente em que a pessoa permanece acordada. As etapas do procedimento estão descritas em detalhe em como é feita a escleroterapia.
Ao final, dependendo dos vasos tratados, pode ser indicado usar meia de compressão por alguns dias. Em seguida, é possível retomar as atividades habituais.
Quando o resultado aparece
O resultado não é imediato. Logo após a aplicação, o trajeto tratado costuma ficar avermelhado ou arroxeado, e pequenos hematomas são comuns. Nas semanas seguintes, os vasos clareiam aos poucos.
O intervalo entre as sessões costuma ser de algumas semanas, tempo para avaliar a resposta e deixar a pele se recuperar. O número total varia com a extensão dos vasinhos e com a resposta de cada pessoa. A escleroterapia fecha os vasos tratados, mas não elimina a tendência a formar novos: com os anos, outros podem surgir, e sessões de manutenção fazem parte do acompanhamento.
Efeitos esperados e complicações
Algumas reações fazem parte do processo e desaparecem sozinhas. Outras são menos comuns e pedem contato com o médico.
| Frequência | O que pode acontecer | Evolução habitual |
|---|---|---|
| Comuns | Hematomas, vermelhidão, ardor, pequenos cordões endurecidos | Melhoram em dias a semanas; sangue retido em vasos maiores pode ser drenado no retorno |
| Ocasionais | Manchas acastanhadas (hiperpigmentação) | Clareiam ao longo de meses na maioria das pessoas |
| Ocasionais | Rede de vasinhos muito finos ao redor da área tratada (matting) | Muitas vezes regride; às vezes precisa de tratamento |
| Raras | Pequena ferida na pele, reação alérgica, inflamação de veia superficial | Exigem avaliação médica |
| Muito raras | Trombose venosa profunda, alterações visuais passageiras | Mais associadas a veias maiores e ao uso de espuma |
As manchas merecem atenção porque são a queixa mais frequente. Elas surgem quando a hemossiderina, pigmento derivado do sangue, se deposita na pele ao redor do vaso fechado. Pele morena, vasos mais calibrosos e exposição ao sol aumentam a chance de aparecerem.
Sol e outros cuidados depois da aplicação
- Sol: evite bronzear as pernas antes do tratamento e enquanto houver marcas roxas ou manchas. Pele bronzeada reage pior à agressão do vaso; se a exposição for inevitável, use protetor solar de fator alto na região.
- Caminhada: andar logo após a sessão ativa a bomba da panturrilha e ajuda a circulação.
- Calor e esforço intenso: sauna, banhos muito quentes e treinos pesados costumam ser evitados por um ou dois dias.
- Compressão: siga a indicação recebida quanto ao uso e ao tempo da meia.
- Sinais de alerta: dor intensa ou inchaço na panturrilha, falta de ar, ferida que aumenta ou alteração da visão exigem contato imediato com o médico.
Um roteiro mais completo está nas orientações após a aplicação de vasinhos.
Quem deve adiar ou evitar
A escleroterapia costuma ser adiada durante a gravidez e a amamentação, e não é feita em quem teve alergia à substância, está com infecção de pele na região, teve trombose recente ou está imobilizado. Histórico de trombose venosa profunda, trombofilia, enxaqueca com aura e doença arterial nas pernas não impedem necessariamente o tratamento, mas pedem avaliação individual antes de começar.
Escleroterapia ou laser?
As diretrizes europeias de doença venosa colocam a escleroterapia como primeira opção para vasinhos das pernas. O laser transdérmico é uma alternativa para vasos muito finos e difíceis de puncionar, para quem tem alergia a esclerosantes ou medo de agulha e para vasinhos que surgem depois de aplicações. Com frequência os dois métodos se complementam na mesma sessão. A comparação entre as opções para esses vasos está na página sobre vasinhos.
Perguntas frequentes
A aplicação de vasinhos dói?
A maioria das pessoas descreve picadas rápidas e ardor passageiro, suportáveis sem anestesia. O desconforto depende da região, da sensibilidade de cada um e da substância usada. Resfriar a pele durante a sessão costuma ajudar, e algumas clínicas oferecem sedação consciente com óxido nitroso para quem tem muito medo de agulha.
Quantas sessões de escleroterapia são necessárias?
Não há número fixo. Pernas com poucos vasinhos podem melhorar bem em duas ou três sessões; quadros extensos costumam precisar de mais, com intervalo de algumas semanas entre elas. Como a tendência a formar vasinhos é crônica, sessões de manutenção ao longo dos anos são comuns.
As manchas depois da escleroterapia saem?
Na maior parte dos casos, sim. As manchas acastanhadas vêm do pigmento do sangue que fica na pele ao redor do vaso tratado e costumam clarear ao longo de meses. Em algumas pessoas demoram mais ou persistem. Evitar sol sobre a região e não tratar a pele bronzeada reduz esse risco.
Posso fazer academia depois da aplicação?
Caminhar é recomendado logo após a sessão, porque ativa a circulação nas pernas. Exercícios intensos, sauna e banhos muito quentes costumam ser evitados por um ou dois dias, período em que a pele e os vasos tratados ainda estão reagindo. A orientação exata depende do que foi tratado e deve seguir o que o médico indicar.
Referências
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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
