Em resumo
A maior parte das crenças populares sobre varizes mistura um pouco de verdade com exagero. O que mais pesa no surgimento das varizes é a predisposição familiar, somada à idade, aos hormônios, às gestações e ao tempo parado. Hábitos como cruzar as pernas ou depilar com cera não causam varizes, embora alguns fatores, como o calor, piorem os sintomas.
Muito do que se repete sobre varizes mistura uma parte de verdade com exageros. O fator que mais pesa no surgimento das varizes é a predisposição genética, somada à idade, aos hormônios, às gestações e ao tempo que se passa parado. A seguir, doze afirmações comuns, com o que a medicina sabe sobre cada uma.
Mito: cruzar as pernas causa varizes
Veredito: mito. Não há estudos que mostrem relação entre cruzar as pernas e o surgimento de varizes. A posição pode comprimir veias superficiais por alguns minutos e incomodar quem já tem doença venosa, mas não danifica válvulas. O que pesa de verdade é passar horas sentado sem se mexer, cruzando ou não as pernas. Há mais detalhes sobre se cruzar as pernas causa varizes.
Mito: salto alto causa varizes
Veredito: em parte. O salto não cria varizes, mas saltos muito altos limitam o movimento do tornozelo e diminuem a eficiência da panturrilha em bombear o sangue para cima. Em quem já tem varizes, o uso prolongado pode aumentar peso e inchaço no fim do dia. Salto baixo ou médio na rotina e salto alto em ocasiões pontuais é um equilíbrio razoável.
Mito: depilação com cera provoca vasinhos
Veredito: mito. A cera não cria vasinhos nem varizes. O calor pode dilatar temporariamente as veias superficiais, e o puxão pode causar pequenas manchas roxas em pele sensível, o que dá a impressão de que os vasos surgiram depois da depilação. Em quem tem varizes, cera fria ou morna costuma ser mais confortável. Logo após escleroterapia ou laser, a área tratada deve ser poupada por alguns dias.
Mito: musculação causa varizes
Veredito: mito. Veias saltadas nos braços e nas pernas de quem treina costumam ser veias normais, cheias pelo aumento do fluxo sanguíneo e visíveis pela pouca gordura sob a pele. Fortalecer a panturrilha melhora o retorno venoso. A ressalva vale para esforços máximos com a respiração presa, que elevam muito a pressão abdominal por alguns segundos; quem tem varizes pode treinar com cargas moderadas e respiração contínua.
Mito: cremes e pomadas eliminam varizes
Veredito: mito. Nenhum creme atravessa a pele em quantidade capaz de fechar ou encolher uma veia dilatada. Géis podem refrescar e aliviar o desconforto, e alguns ajudam a absorver hematomas. Os comprimidos também aliviam sintomas sem fazer as varizes sumirem, como explica a página sobre medicamentos flebotônicos.
Mito: varizes sempre voltam depois do tratamento
Veredito: em parte. Uma veia tratada adequadamente não volta a funcionar como antes. O que pode ocorrer é o surgimento de novas varizes, porque a tendência genética continua, a reabertura de um segmento tratado ou a formação de novos vasos na região operada. A recidiva é descrita em todas as técnicas, mas não significa que o tratamento foi inútil. Avaliações periódicas permitem tratar cedo o que aparecer, como mostra a página sobre cirurgia de varizes.
Mito: tirar a safena faz falta para uma futura ponte de safena
Veredito: em parte. Quando a safena está dilatada e com refluxo, ela já não serve bem como enxerto para o coração, porque é uma veia doente. Além disso, as cirurgias cardíacas atuais usam com frequência artérias, como a mamária interna e a radial, e outras veias podem ser aproveitadas. A decisão é individual, e safenas saudáveis ou segmentos sem doença são preservados sempre que possível. A relação entre safena doente e ponte de safena é explicada em detalhe.
Mito: varizes são apenas um problema estético
Veredito: mito. Varizes podem causar peso, dor, cansaço, câimbras e inchaço, e parte das pessoas evolui com manchas, endurecimento da pele, inflamação de veias superficiais e úlceras. Nem toda variz precisa de tratamento, mas todas merecem avaliação quando há sintomas ou alterações na pele, como descrito em complicações das varizes.
Mito: o calor piora as varizes
Veredito: verdade, em relação aos sintomas. O calor dilata as veias e aumenta a saída de líquido para os tecidos. Por isso peso e inchaço costumam piorar no verão, em banhos quentes demorados e em saunas. O calor não cria varizes novas, mas quem já tem doença venosa sente mais os sintomas nesses períodos. Caminhar, elevar as pernas e usar compressão quando indicada ajudam a atravessar os dias quentes.
Mito: as varizes da gravidez desaparecem sozinhas após o parto
Veredito: em parte. Muitas varizes que surgem na gestação diminuem bastante nos meses seguintes ao parto, quando o volume de sangue e os hormônios se normalizam e o útero deixa de comprimir as veias da pelve. Parte delas, porém, persiste, sobretudo depois de várias gestações. Por isso costuma-se esperar alguns meses após o parto antes de decidir sobre tratamento, como explica varizes na gravidez.
Mito: vasinhos viram varizes
Veredito: mito. Vasinhos, ou telangiectasias, são vasos da pele e não se transformam em varizes, que são veias maiores e mais profundas. As duas condições, no entanto, podem ter a mesma origem e aparecer juntas. Vasinhos concentrados perto do tornozelo ou acompanhados de peso nas pernas podem indicar refluxo em veias maiores e merecem avaliação. As diferenças estão em vasinhos.
Mito: a meia de compressão enfraquece as veias e vicia
Veredito: mito. A meia não atrofia a musculatura nem enfraquece as veias; ela oferece apoio externo enquanto está sendo usada. A sensação de que as pernas pioram ao tirá-la é o retorno dos sintomas que a compressão estava controlando, não dependência. Quem precisa de compressão pode usá-la por longos períodos com segurança, desde que a indicação e o tamanho estejam corretos, como detalha a página sobre meias de compressão.
Por que tantos mitos circulam
Varizes são comuns, visíveis e aparecem muitas vezes junto com mudanças na rotina, como uma gestação, um emprego novo ou o início de uma atividade física. É natural atribuir a causa ao que mudou. Como a predisposição genética não se enxerga, hábitos do dia a dia acabam levando a culpa. Outras crenças frequentes são analisadas em dez mitos comuns sobre varizes e nas mentiras que ainda circulam sobre varizes.
Perguntas frequentes
Beber pouca água causa varizes?
Não há evidência de que beber pouca água cause varizes. A hidratação adequada, no entanto, faz diferença em situações de imobilidade prolongada, como viagens longas e pós-operatório, porque a desidratação deixa o sangue mais concentrado e contribui para o risco de trombose. Para as varizes em si, contam mais a predisposição familiar e o tempo parado.
Corrida faz mal para quem tem varizes?
Não. A corrida aciona a bomba da panturrilha e favorece o retorno do sangue. Quem tem varizes e sente peso ou inchaço durante ou após correr pode se beneficiar de meias de compressão esportivas e deve evitar ficar parado em pé logo depois do treino. Após procedimentos, o retorno à corrida segue o prazo orientado pelo médico.
Varizes só aparecem em pessoas mais velhas?
Não. Varizes são mais frequentes com o avanço da idade, mas podem surgir na adolescência e em adultos jovens, principalmente quando há histórico familiar forte. A primeira gestação também é um momento comum de aparecimento. Varizes em jovens merecem a mesma avaliação, porque o diagnóstico precoce permite acompanhar e tratar no momento adequado.
Referências
- European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs
- The 2023 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities
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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
