Em resumo
Vasinhos são telangiectasias, veias com menos de 1 mm de calibre, muitas vezes acompanhadas de veias reticulares azuladas de 1 a 3 mm. São muito comuns e, em geral, uma questão estética, mas podem causar ardor e às vezes sinalizam refluxo em veias maiores. Os tratamentos principais são a escleroterapia, o laser transdérmico e a combinação dos dois, como no CLaCS.
Vasinhos são pequenas veias dilatadas, com menos de 1 mm de calibre, visíveis na superfície da pele. O nome médico é telangiectasia. Aparecem como linhas finas avermelhadas ou arroxeadas, às vezes em forma de aranha, e muitas vezes vêm acompanhadas de veias reticulares, um pouco mais grossas e azuladas. Na maioria das pessoas são uma questão estética, mas podem causar desconforto e, em alguns casos, indicam refluxo em veias maiores.
Telangiectasias, veias reticulares e varizes
Os três tipos de veia fazem parte do mesmo sistema e se diferenciam pelo calibre.
| Tipo | Calibre | Aspecto | Classe CEAP |
|---|---|---|---|
| Telangiectasias | menos de 1 mm | finas, vermelhas ou arroxeadas, em aranha ou ramos | C1 |
| Veias reticulares | 1 a 3 mm | azuladas ou esverdeadas, visíveis sob a pele, sem saliência | C1 |
| Varizes | 3 mm ou mais, em pé | salientes e tortuosas | C2 |
O termo “microvarizes”, muito usado no Brasil, costuma se referir às veias reticulares ou a pequenas varizes. As veias reticulares frequentemente funcionam como veias nutridoras: um grupo de vasinhos é alimentado por uma veia azulada próxima, e tratar só os vasinhos, sem cuidar dessa veia, costuma dar resultado passageiro.
Por que aparecem
As causas se sobrepõem às das varizes:
- predisposição familiar, o fator mais importante;
- hormônios femininos, o que explica a frequência maior em mulheres;
- gestações, período em que muitos vasinhos surgem ou aumentam;
- idade;
- longos períodos em pé.
Vasinhos são extremamente comuns em adultos, e a maior parte das pessoas desenvolve algum ao longo da vida.
É só estética?
Para muitas pessoas, sim. Mas vasinhos também podem causar sintomas locais, como ardor, queimação, dor em pontada ou sensibilidade, com piora no calor e antes da menstruação.
Em algumas situações, eles são a ponta visível de um problema maior. Vale investigar com ecodoppler venoso quando:
- há peso, dor ou inchaço nas pernas;
- existem varizes salientes junto com os vasinhos;
- os vasinhos se concentram na região do tornozelo ou na borda do pé, formando a coroa flebectásica;
- os vasinhos voltam muito rapidamente depois do tratamento;
- há manchas ou alterações de pele.
A coroa flebectásica, um leque de pequenas veias azuladas na borda do pé, recebeu classe própria (C4c) na classificação CEAP por estar associada a doença venosa mais avançada.
Quando existe refluxo em veias maiores, a recomendação é tratá-lo antes, ou junto, com os vasinhos. Caso contrário, a pressão continua alta na região e os resultados tendem a ser piores.
Tratamentos
Não existe creme, pomada, chá ou comprimido que faça vasinhos desaparecerem. Os medicamentos flebotônicos podem aliviar sintomas, mas não eliminam as veias. Os tratamentos eficazes atuam diretamente sobre o vaso.
Escleroterapia
É o tratamento mais tradicional e, nas diretrizes internacionais, a principal opção para telangiectasias e veias reticulares. Uma substância esclerosante é injetada com agulha muito fina dentro do vasinho, irritando a parede, que se fecha e é absorvida pelo organismo ao longo de semanas. No Brasil, a glicose hipertônica e o polidocanol estão entre os agentes mais usados.
A sessão é feita em consultório, sem anestesia e sem afastamento. Os detalhes estão em escleroterapia.
Laser transdérmico
O laser atravessa a pele e é absorvido pela hemoglobina do sangue dentro do vaso, que é aquecido e se fecha. Não há agulha. É útil para vasinhos muito finos, para quem tem medo de agulha ou alergia a esclerosantes, e para vasos que responderam pouco à escleroterapia.
Dispositivos de resfriamento protegem a pele e reduzem o desconforto. Pele bronzeada ou muito escura exige mais cuidado, porque o laser também é absorvido pela melanina. Mais em laser transdérmico, e há um relato prático sobre o uso de laser para vasinhos sem cirurgia.
CLaCS
O CLaCS combina, na mesma sessão, o laser transdérmico com resfriamento intenso da pele e a escleroterapia. O nome vem do inglês Cryo-Laser and Cryo-Sclerotherapy. A técnica foi desenvolvida no Brasil e é indicada para quadros com vasinhos e veias reticulares em que um método isolado costuma dar resultado insuficiente. A descrição da técnica CLaCS mostra como as etapas se complementam.
Espuma e cirurgia
A escleroterapia com espuma é usada para veias reticulares mais calibrosas e para varizes, mas em geral não é a primeira escolha para telangiectasias finas. Varizes salientes que alimentam vasinhos podem precisar de laser endovenoso, radiofrequência, espuma ou retirada por microincisões.
Comparação das opções
| Técnica | Melhor para | Vantagens | Cuidados |
|---|---|---|---|
| Escleroterapia líquida | telangiectasias e reticulares | eficaz, amplamente disponível, rápida | agulha; manchas e hematomas temporários |
| Laser transdérmico | vasinhos finos, quem evita agulha | sem injeção | pele bronzeada; várias sessões |
| CLaCS | quadros mistos ou extensos | combina dois mecanismos na mesma sessão | disponível em serviços com o equipamento |
| Espuma | reticulares calibrosas e varizes | trata vasos maiores | não costuma ser usada em vasinhos finos |
Para aprofundar o tratamento das telangiectasias nas pernas, incluindo a escolha entre esses métodos, a avaliação individual é o que define a melhor combinação.
O que esperar
O resultado é gradual. Logo após a sessão, os vasos tratados podem ficar mais escuros ou avermelhados, e a absorção leva semanas. A melhora costuma ser avaliada algumas semanas depois de cada sessão.
Efeitos possíveis:
| Efeito | Frequência | Evolução |
|---|---|---|
| Hematomas e vermelhidão | comum | desaparecem em dias a poucas semanas |
| Manchas acastanhadas no trajeto do vaso | comum | tendem a clarear em meses |
| Rede de vasinhos finos avermelhados na área tratada | incomum | pode regredir ou exigir novo tratamento |
| Pequenas feridas na pele | raro | cicatrizam com cuidados locais |
| Reações alérgicas | raro | tratamento imediato no consultório |
O número de sessões varia conforme a extensão do quadro. Como a tendência a formar vasinhos continua, novas veias podem aparecer ao longo dos anos, e sessões de manutenção são comuns.
Cuidados antes e depois
- Sol: evite exposição direta das áreas tratadas por algumas semanas e use protetor solar.
- Compressão: alguns protocolos recomendam meia elástica por um período após a escleroterapia, o que pode melhorar o resultado.
- Atividade: caminhar é liberado e recomendado; exercícios intensos podem ser adiados por alguns dias, conforme orientação.
- Gravidez: o tratamento estético de vasinhos costuma ser adiado para depois da gestação e da amamentação. Veja varizes na gravidez.
Quando os vasinhos convivem com varizes ou sintomas nas pernas, a avaliação completa descrita em varizes é o ponto de partida para um tratamento que dure.
Perguntas frequentes
Vasinhos voltam depois do tratamento?
O vasinho tratado com sucesso não volta, mas novos vasinhos podem surgir com o tempo, porque a predisposição continua. Por isso é comum fazer sessões de manutenção periódicas. Tratar primeiro as veias reticulares que alimentam os vasinhos e corrigir eventual refluxo em veias maiores melhora a duração do resultado.
Quantas sessões são necessárias para tratar vasinhos?
Depende da quantidade, do calibre e da resposta de cada pessoa. Poucas áreas podem melhorar em uma ou duas sessões, enquanto quadros extensos costumam exigir várias, com intervalo de algumas semanas entre elas. O resultado final aparece de forma gradual, porque o organismo leva semanas para absorver as veias tratadas.
Posso tomar sol depois de tratar vasinhos?
O ideal é evitar exposição solar direta nas áreas tratadas por algumas semanas e usar protetor solar. O sol aumenta o risco de manchas escuras depois da escleroterapia e do laser. Pele bronzeada também reduz a segurança do laser, e muitas pessoas preferem tratar vasinhos no outono e no inverno por esse motivo.
Vasinhos podem virar varizes?
Vasinhos não se transformam em varizes. Mas as duas condições têm fatores de risco em comum e muitas vezes coexistem. Quando os vasinhos vêm acompanhados de peso nas pernas, inchaço, veias salientes ou aparecem concentrados perto do tornozelo, vale fazer um ecodoppler para investigar refluxo em veias maiores.
Referências
- European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs
- The 2023 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part II
- The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards
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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
