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Varizes Online

Cuidados e dúvidas

Glossário de varizes e doenças venosas

Por Prof. Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e endovascularAtualizado em 2 min de leitura

Em resumo

Os laudos e as conversas sobre varizes usam muitos termos técnicos. Este glossário explica, em linguagem direta, as palavras mais comuns sobre anatomia das veias, doença venosa e linfática, exames e tratamentos.

Laudos de eco-Doppler, pedidos de exame e conversas no consultório usam palavras que raramente aparecem no dia a dia. Este glossário explica, em linguagem direta, os termos mais comuns ligados às varizes, às doenças das veias e dos vasos linfáticos e aos procedimentos usados no tratamento.

Para ver como esses termos aparecem num exame, consulte a página sobre o eco-Doppler venoso; as classes de C0 a C6 estão detalhadas em classificação CEAP, e dúvidas práticas estão reunidas em perguntas frequentes. Um panorama das doenças venosas ajuda a situar cada termo, e termos de outras áreas da medicina podem ser consultados a partir da definição de varizes na enciclopédia médica.

A

Ablação térmica endovenosa
Fechamento de uma veia doente por calor aplicado de dentro dela, com fibra de laser ou cateter de radiofrequência introduzidos por punção. A veia tratada deixa de conduzir sangue e é absorvida pelo organismo com o tempo. É o tratamento preferido para safenas com refluxo.
Adesivo de cianoacrilato
Cola de uso médico empregada para fechar veias safenas por dentro, sem calor e sem a anestesia aplicada ao redor da veia nas técnicas térmicas. O adesivo é injetado por cateter e une as paredes da veia. É uma das técnicas endovenosas não térmicas.
Anticoagulante
Medicamento que reduz a capacidade de coagulação do sangue e impede que coágulos cresçam ou se formem. É a base do tratamento da trombose venosa profunda. Não dissolve varizes e não deve ser usado sem prescrição, pelo risco de sangramento.
Atrofia branca
Área de pele esbranquiçada, lisa e com aspecto de cicatriz, salpicada de pequenos pontos vermelhos, que surge perto do tornozelo na insuficiência venosa avançada. Costuma ser dolorosa e é uma região propensa a feridas difíceis de cicatrizar.

B

Bomba muscular da panturrilha
Mecanismo pelo qual a contração dos músculos da panturrilha, a cada passo, comprime as veias profundas e empurra o sangue em direção ao coração. Por esse papel, a panturrilha é chamada de coração periférico. Caminhar é a forma mais eficiente de acioná-la.

C

CEAP
Classificação internacional da doença venosa crônica, cuja sigla reúne os aspectos clínico, etiológico, anatômico e fisiopatológico. A parte clínica vai de C0, sem sinais visíveis, a C6, úlcera venosa aberta, passando por vasinhos, varizes, edema e alterações de pele. A versão revisada foi publicada em 2020.
Coroa flebectásica
Conjunto de pequenas veias finas e azuladas, em forma de leque, na borda do pé e ao redor do tornozelo. Costuma indicar hipertensão venosa mantida e, na revisão da classificação CEAP, é considerada sinal de doença mais avançada.
Crossectomia
Ligadura cirúrgica da safena e de seus ramos no ponto em que ela desemboca na veia profunda, como na junção safeno-femoral, na virilha. Fazia parte da cirurgia convencional de varizes e hoje é usada em situações selecionadas.

D

D-dímero
Exame de sangue que detecta fragmentos da degradação de coágulos. Um valor normal, em pessoa com baixa probabilidade clínica, ajuda a afastar trombose venosa profunda. Valor alto não confirma trombose, pois também sobe com a idade, na gestação, em infecções e após cirurgias.
Dermatite ocre
Manchas acastanhadas na parte inferior das pernas, sobretudo perto do tornozelo, causadas pelo depósito de hemossiderina, pigmento derivado do sangue que extravasa dos capilares. É sinal de insuficiência venosa crônica com alteração de pele.
Doença arterial periférica
Estreitamento ou obstrução das artérias das pernas, geralmente por aterosclerose. Causa dor ao caminhar que melhora com repouso, pés frios e feridas. Precisa ser descartada antes da indicação de meias de compressão mais fortes.
Doença venosa crônica
Termo que abrange todas as alterações de longa duração das veias das pernas, de vasinhos e varizes a inchaço, manchas e úlceras. Quando há alterações mais avançadas, como edema e lesões de pele, usa-se também a expressão insuficiência venosa crônica.

E

Eco-Doppler venoso
Ultrassonografia com Doppler que mostra a anatomia das veias e a direção do fluxo sanguíneo. É o exame principal para avaliar varizes: identifica refluxo, mede as safenas, localiza perfurantes e detecta trombose. Também é chamado de duplex scan ou mapeamento venoso.
Eczema venoso
Inflamação da pele da perna com coceira, vermelhidão, descamação e, às vezes, secreção, relacionada à hipertensão venosa. Também é chamado de dermatite de estase. Pode ser confundido com alergia e costuma piorar com cremes irritantes.
Edema
Inchaço causado pelo acúmulo de líquido nos tecidos. Na doença venosa, costuma aparecer no fim do dia, perto do tornozelo, e melhorar com repouso e pernas elevadas. Tem muitas outras causas, como problemas cardíacos, renais, linfáticos e efeito de medicamentos.
EHIT
Sigla em inglês para trombose induzida por calor endovenoso. É a extensão do coágulo formado na safena tratada por laser ou radiofrequência até a veia profunda, junto à junção. É classificada por graus e costuma ser detectada no eco-Doppler de controle.
Embolia pulmonar
Obstrução de artérias do pulmão por um coágulo que se desprendeu, geralmente de uma trombose venosa profunda nas pernas. Causa falta de ar súbita, dor no peito e tosse, e é uma emergência médica.
Erisipela
Infecção bacteriana da pele e dos vasos linfáticos superficiais, com vermelhidão intensa e bem delimitada, calor, dor e febre. Inchaço crônico, feridas e micose entre os dedos facilitam a entrada da bactéria. Episódios repetidos podem lesar os linfáticos e levar a linfedema.
Esclerosante
Substância injetada numa veia para lesar seu revestimento interno e provocar o fechamento do vaso. Os mais usados são os detergentes, como o polidocanol, e as soluções osmóticas, como a glicose hipertônica.
Escleroterapia
Tratamento de vasinhos, veias reticulares e varizes pela injeção de substância esclerosante. Na forma líquida, é indicada para vasos finos; transformada em espuma, alcança veias maiores. Também é conhecida como aplicação ou secagem de vasinhos.
Escleroterapia com espuma
Técnica em que o esclerosante detergente é misturado a ar ou gás para formar uma espuma, que desloca o sangue e fica mais tempo em contato com a parede da veia. Permite tratar varizes maiores e costuma ser guiada por ultrassom.
Estase venosa
Lentidão do fluxo de sangue nas veias, que ocorre na imobilidade, em varizes volumosas e em compressões venosas. Favorece o inchaço e é um dos fatores que predispõem à formação de coágulos.

F

Flebectomia
Retirada de varizes superficiais por pequenas incisões ou punções na pele, com instrumentos delicados e anestesia local. Também é chamada de microcirurgia de varizes. Costuma dispensar pontos e deixar marcas mínimas.
Flebite
Inflamação de uma veia. Na perna, geralmente está associada a um coágulo em veia superficial, quadro chamado tromboflebite, que aparece como cordão endurecido, avermelhado e dolorido. Também pode surgir no local de um cateter ou de uma injeção.
Flebografia
Exame em que um contraste é injetado nas veias para visualizá-las por raio X. Hoje é pouco usado para varizes das pernas e fica reservado a situações específicas, como a investigação e o tratamento de obstruções nas veias da pelve.
Flebologia
Área da medicina dedicada ao estudo, ao diagnóstico e ao tratamento das doenças das veias. No Brasil, é exercida principalmente por angiologistas e cirurgiões vasculares.
Flebotônico
Medicamento que atua sobre o tônus das veias e a permeabilidade dos capilares, como flavonoides, rutosídeos e extrato de castanha-da-índia. Pode aliviar sintomas e reduzir discretamente o inchaço, mas não elimina varizes. Também é chamado de venoativo.

G

Glicose hipertônica
Solução concentrada de glicose usada como esclerosante osmótico no tratamento de vasinhos. Retira água das células da parede do vaso e provoca seu fechamento. É muito empregada no Brasil, isoladamente ou combinada ao laser transdérmico.

H

Hiperpigmentação pós-escleroterapia
Manchas acastanhadas que surgem ao longo de vasos tratados por escleroterapia ou laser, pelo depósito de pigmento do sangue na pele. Na maioria das pessoas, clareiam em meses. Sol e pele bronzeada aumentam o risco.

I

Índice tornozelo-braquial
Relação entre a pressão arterial medida no tornozelo e a medida no braço. Valores baixos sugerem doença arterial periférica. É usado para avaliar a circulação arterial antes da indicação de compressão forte.
Insuficiência venosa crônica
Forma avançada da doença venosa crônica, em que a hipertensão nas veias causa inchaço, alterações da pele, como manchas e endurecimento, e às vezes úlceras. Pode resultar de varizes, de sequela de trombose ou de obstruções venosas.

J

Junção safeno-femoral
Ponto na virilha onde a veia safena magna desemboca na veia femoral, que é profunda. O refluxo nessa junção é uma das causas mais comuns de varizes na coxa e na perna.
Junção safeno-poplítea
Ponto atrás do joelho onde a veia safena parva costuma desembocar na veia poplítea, que é profunda. A posição dessa junção varia bastante entre as pessoas e é mapeada pelo eco-Doppler antes do tratamento.

L

Laser endovenoso
Técnica de ablação térmica em que uma fibra de laser, introduzida na veia por punção e guiada por ultrassom, aquece e fecha a safena ou outra veia doente. É feita com anestesia local ao redor da veia e permite caminhar no mesmo dia.
Laser transdérmico
Laser aplicado sobre a pele para tratar vasinhos e pequenas veias reticulares, sem agulha. A luz é absorvida pelo sangue dentro do vaso, que aquece e se fecha. Nas pernas, o comprimento de onda mais usado é o de 1064 nanômetros.
Linfedema
Inchaço crônico causado por falha do sistema linfático, que deixa de drenar o líquido dos tecidos. Pode ser congênito ou adquirido, após cirurgias, radioterapia ou infecções. Costuma atingir também o pé e endurecer a pele com o tempo.
Lipedema
Doença crônica caracterizada por acúmulo desproporcional de gordura, geralmente simétrico, nas pernas e às vezes nos braços, que poupa mãos e pés. Causa dor ao toque, sensação de peso e hematomas fáceis, e atinge quase exclusivamente mulheres.
Lipodermatoesclerose
Endurecimento e retração da pele e da gordura na parte inferior da perna, causados pela inflamação crônica da hipertensão venosa. Na fase aguda é dolorosa e avermelhada; na crônica, pode dar à perna o formato de garrafa invertida.

M

Matting telangiectásico
Aparecimento de uma rede de vasinhos muito finos e avermelhados ao redor de uma área tratada por escleroterapia, laser ou cirurgia. Muitas vezes regride sozinho em meses; quando persiste, pode exigir tratamento complementar.
Meia de compressão graduada
Meia elástica medicinal com pressão maior no tornozelo, que diminui em direção à coxa. Reduz inchaço e sintomas venosos. A força é expressa em milímetros de mercúrio e deve ser escolhida conforme a indicação médica e as medidas da perna.

N

Neovascularização
Formação de novos vasos sanguíneos. Após cirurgia de varizes, pode surgir na região da junção tratada, especialmente na virilha, e é uma das causas de recidiva de varizes.

P

Pletismografia
Exame que mede variações de volume da perna em diferentes posições e movimentos para avaliar a função venosa global, como o refluxo e a eficiência da bomba da panturrilha. Complementa o eco-Doppler em casos selecionados.
Polidocanol
Esclerosante do tipo detergente, usado na escleroterapia líquida de vasinhos e veias reticulares e, na forma de espuma, em varizes maiores. A concentração é escolhida conforme o calibre do vaso tratado.
Pressão venosa ambulatorial
Pressão nas veias do pé medida durante a caminhada. Em pessoas saudáveis, cai de forma acentuada com o movimento, graças às válvulas e à bomba da panturrilha. Quando permanece alta, caracteriza a hipertensão venosa responsável pelos sintomas e pelas lesões de pele.

R

Radiofrequência endovenosa
Técnica de ablação térmica que usa um cateter introduzido na veia para aquecer a parede com energia de radiofrequência e fechá-la. Tem indicações semelhantes às do laser endovenoso, com anestesia local e recuperação rápida.
Recidiva de varizes
Reaparecimento de varizes após tratamento. Pode resultar da progressão da doença em outras veias, da reabertura de um segmento tratado, de neovascularização ou de tratamento incompleto. É avaliada com eco-Doppler para definir a causa antes de novo procedimento.
Refluxo venoso
Fluxo de sangue na direção errada, das coxas para os pés, que ocorre quando as válvulas das veias não fecham. No eco-Doppler, é considerado anormal quando dura mais que o tempo de referência para aquele tipo de veia, em geral meio segundo nas veias superficiais.

S

Safena acessória anterior
Veia superficial da coxa que corre paralela e à frente da safena magna e desemboca perto da virilha. Pode desenvolver refluxo próprio e é causa frequente de varizes na face lateral da coxa e de recidiva após tratamento.
Safena magna
A veia mais longa do corpo. Começa na frente do tornozelo, sobe pela face interna da perna e da coxa e desemboca na veia femoral, na virilha. É a veia mais frequentemente envolvida nas varizes.
Safena parva
Veia superficial que começa atrás do tornozelo, pelo lado externo, sobe pela parte de trás da panturrilha e geralmente desemboca na veia poplítea, atrás do joelho. Refluxo nela causa varizes na panturrilha.
Síndrome da congestão pélvica
Quadro de dor pélvica crônica causado por veias dilatadas e com refluxo na pelve, principalmente as ovarianas. A dor piora em pé e após relações sexuais, e podem surgir varizes na vulva e na coxa. Hoje também se usa o termo doença venosa pélvica.
Síndrome de May-Thurner
Compressão da veia ilíaca comum esquerda pela artéria ilíaca comum direita, que passa sobre ela na pelve. Pode causar inchaço crônico da perna esquerda e aumentar o risco de trombose desse lado. Também é chamada de síndrome de Cockett.
Síndrome pós-trombótica
Conjunto de sintomas que surgem meses ou anos após uma trombose venosa profunda, pela lesão das válvulas ou por obstrução residual das veias: inchaço, dor, peso, manchas, endurecimento da pele e, em casos graves, úlceras.
Sistema venoso profundo
Rede de veias localizada entre os músculos, que acompanha as artérias e conduz a maior parte do sangue das pernas de volta ao coração. Inclui as veias tibiais, a poplítea, a femoral e as ilíacas.
Sistema venoso superficial
Rede de veias situada sob a pele, acima da camada muscular, que inclui as safenas e seus ramos. É onde se formam as varizes. Liga-se ao sistema profundo pelas junções e pelas veias perfurantes.

T

Telangiectasia
Nome técnico dos vasinhos: vasos muito finos, com até cerca de 1 milímetro, vermelhos ou arroxeados, visíveis na pele. Nas pernas, correspondem à classe C1 da classificação CEAP e costumam ser tratados com escleroterapia ou laser transdérmico.
Trombofilia
Tendência aumentada à formação de coágulos, herdada ou adquirida. Exemplos são a mutação do fator V de Leiden e a síndrome antifosfolípide. Influencia decisões sobre prevenção de trombose em cirurgias, na gestação e no uso de hormônios.
Tromboflebite
Formação de coágulo com inflamação em uma veia superficial, geralmente varicosa. Aparece como cordão endurecido, vermelho, quente e dolorido. Exige avaliação com eco-Doppler, porque o coágulo pode estar próximo do sistema profundo ou se estender até ele.
Trombose venosa profunda
Formação de coágulo dentro de uma veia profunda, geralmente na perna. Causa inchaço, dor e calor, mas pode ser silenciosa. O principal risco imediato é a embolia pulmonar e, a longo prazo, a síndrome pós-trombótica. O tratamento é feito com anticoagulantes.

U

Úlcera venosa
Ferida crônica, geralmente perto do tornozelo, causada pela hipertensão venosa mantida. É a forma mais avançada da doença venosa, classe C6 da CEAP quando aberta. O tratamento combina compressão, cuidado da ferida e correção do refluxo quando possível.

V

Válvula venosa
Pequena dobra em forma de bolsa na parede interna das veias, que se abre para deixar o sangue subir e se fecha para impedir que ele volte. Quando as válvulas deixam de fechar, surge o refluxo que origina as varizes.
Varizes
Veias superficiais dilatadas, com 3 milímetros ou mais de diâmetro medido em pé, geralmente tortuosas e salientes, que perderam a capacidade de conduzir o sangue de volta ao coração com eficiência. Correspondem à classe C2 da classificação CEAP.
Veia nutridora
Veia reticular ou pequena variz que abastece um grupo de vasinhos. Tratá-la junto com os vasinhos reduz a chance de eles reaparecerem. Aparelhos de luz infravermelha ajudam a localizá-la quando não é visível a olho nu.
Veia perfurante
Veia que atravessa a camada muscular e liga o sistema venoso superficial ao profundo. Normalmente conduz o sangue de fora para dentro; quando suas válvulas falham, pode contribuir para varizes e úlceras perto do tornozelo.
Veia reticular
Veia azulada ou esverdeada logo abaixo da pele, com cerca de 1 a 3 milímetros de calibre e sem relevo importante. Muitas vezes alimenta vasinhos próximos e também pertence à classe C1 da classificação CEAP.

Referências

  1. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.