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Varizes Online

Diagnóstico

Eco-Doppler venoso: o mapeamento das varizes

Por Prof. Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e endovascularAtualizado em 5 min de leitura

Em resumo

O eco-Doppler venoso é um ultrassom que mostra a anatomia das veias e a direção do fluxo do sangue. É o exame que identifica de onde vêm as varizes, se há refluxo nas safenas e nas perfurantes e se as veias profundas estão normais. Não usa radiação nem contraste, e o resultado define qual tratamento faz sentido para cada perna.

O eco-Doppler venoso é um exame de ultrassom que mostra, ao mesmo tempo, a anatomia das veias e a direção em que o sangue corre dentro delas. É ele que responde de onde as varizes estão vindo, quais veias têm refluxo e se o sistema profundo está saudável. Não usa radiação nem contraste. As diretrizes de doença venosa o recomendam antes de qualquer tratamento de varizes, porque o resultado define a técnica e evita tratar só o que aparece na pele.

O que é o exame

O aparelho combina duas tecnologias. O modo B é o ultrassom comum, em tons de cinza, que mostra a parede das veias, o calibre e a presença de trombos. O Doppler, em cores e em gráfico, mostra a velocidade e o sentido do fluxo. Juntos, permitem ver se o sangue sobe em direção ao coração, como deveria, ou desce, que é o refluxo.

O nome completo varia entre serviços: ultrassom Doppler colorido venoso, ecodoppler venoso de membros inferiores, duplex scan venoso. Quando o objetivo é planejar tratamento de varizes, costuma-se falar em mapeamento venoso. A diferença entre um exame qualquer e um exame feito para planejamento é discutida em por que nem todo ecodoppler é igual.

O que o eco-Doppler mostra

  • Junções safeno-femoral e safeno-poplítea: os pontos em que as safenas desembocam nas veias profundas, na virilha e atrás do joelho, e se as válvulas ali funcionam;
  • safenas magna e parva: diâmetro, profundidade, trajeto, trechos com refluxo e segmentos normais;
  • veias tributárias: os ramos que formam as varizes visíveis e de onde eles recebem sangue;
  • veias perfurantes: as que ligam o sistema superficial ao profundo, e se estão com fluxo invertido;
  • veias profundas: se estão abertas, se têm refluxo e se há sinais de trombose antiga, como parede espessada ou recanalização parcial;
  • trombose atual: profunda ou superficial, com sua extensão;
  • variações anatômicas: safenas duplicadas, veia de Giacomini e outros trajetos que mudam o planejamento;
  • pontos de escape pélvicos: veias que descem da pelve pela virilha e pelo períneo, sugerindo varizes pélvicas;
  • após tratamento: se a veia tratada fechou, se houve recanalização, neovascularização ou progressão da doença.

Como é feito

Em pé

Para avaliar refluxo, o exame é feito com a pessoa em pé, ou em uma maca inclinada com a cabeça mais alta que os pés. Deitada, as veias esvaziam e o refluxo pode não aparecer. A pesquisa de trombose profunda pode ser feita deitada.

Manobras

O examinador provoca o fluxo e observa o que acontece quando ele para:

  • compressão e descompressão da panturrilha: o sangue sobe com o aperto e, ao soltar, as válvulas saudáveis fecham rapidamente;
  • manobra de Valsalva: você faz força com a barriga, como se fosse evacuar, o que aumenta a pressão e testa as válvulas das junções.

O que é considerado refluxo

O refluxo é definido pelo tempo em que o sangue corre no sentido errado depois da manobra. Nos consensos mais usados, considera-se patológico o fluxo invertido acima de cerca de meio segundo nas veias superficiais e acima de cerca de um segundo nas veias femoral e poplítea. O laudo deve trazer esses tempos e os diâmetros medidos.

Duração e laudo

O mapeamento das duas pernas costuma levar entre 30 e 60 minutos, conforme a complexidade e a presença de cirurgias anteriores. Um bom laudo inclui descrição por segmento, medidas e, idealmente, um desenho esquemático das veias com refluxo, que o cirurgião usa como mapa.

Como se preparar

Para as veias das pernas, o preparo costuma ser simples. As orientações de preparo para o exame resumem os detalhes, e cada serviço pode ter particularidades:

  • use roupa confortável, fácil de tirar da cintura para baixo;
  • em geral não é necessário jejum para as pernas;
  • evite hidratante ou óleo nas pernas no dia;
  • leve exames e laudos anteriores, principalmente se já tratou varizes;
  • informe sobre trombose prévia, cirurgias, gestações e uso de hormônios ou anticoagulantes;
  • se o exame incluir abdome e pelve, siga o preparo específico, que costuma envolver jejum e medidas para reduzir gases.

Por que não tratar sem o mapeamento

Tratar varizes olhando apenas a pele é como consertar o vazamento na parede sem fechar o cano. As veias visíveis quase sempre são consequência de refluxo em uma veia maior, mais profunda, que não se vê.

O mapeamento tem papel decisivo em quatro pontos:

  1. Encontrar a fonte: se a safena tem refluxo e ele não é tratado, as tributárias removidas tendem a voltar. O mesmo vale para fontes pélvicas e perfurantes.
  2. Escolher a técnica: laser endovenoso e radiofrequência dependem do diâmetro, da profundidade, da tortuosidade e da extensão do segmento doente. Veias muito tortuosas, finas ou superficiais podem ser melhor tratadas com espuma ou cirurgia.
  3. Garantir segurança: o exame mostra se as veias profundas estão abertas e se há trombose atual ou antiga, informações essenciais antes de fechar veias superficiais.
  4. Classificar e acompanhar: os achados completam a classificação CEAP e servem de referência para comparar exames depois do tratamento.

Outros métodos, como tomografia, ressonância e flebografia, entram em situações específicas, como suspeita de obstrução das veias da pelve. A visão geral dos exames usados na avaliação de varizes mostra quando cada um é pedido.

Eco-Doppler na suspeita de trombose

Na suspeita de trombose venosa profunda, o eco-Doppler é o exame de escolha e deve ser feito com urgência. Nesse contexto, o foco é outro: o examinador comprime as veias profundas com o transdutor, e uma veia que não colapsa indica trombo. É um exame mais rápido e dirigido, diferente do mapeamento para varizes.

Depois do tratamento

O eco-Doppler também é usado no acompanhamento. Após laser ou radiofrequência, um exame nos primeiros dias ou semanas confirma o fechamento da veia e afasta a extensão de trombo para o sistema profundo. Revisões mais tardias mostram se houve recanalização ou surgimento de novos refluxos, o que permite agir cedo.

Perguntas frequentes

Eco-Doppler venoso dói?

Não. O exame é feito com um transdutor e gel sobre a pele, sem agulhas, radiação ou contraste. Algumas manobras envolvem apertar a panturrilha ou pedir que você faça força como se fosse evacuar, o que pode causar leve desconforto. Em pernas muito inchadas ou com tromboflebite, a compressão do transdutor pode incomodar.

Precisa de jejum para o eco-Doppler das pernas?

Para as veias das pernas, em geral não. Jejum e preparo intestinal costumam ser pedidos apenas quando o exame inclui veias do abdome e da pelve, porque gases atrapalham a visualização. Como cada serviço tem seu protocolo, vale confirmar as orientações ao agendar.

Quem tem só vasinhos precisa fazer eco-Doppler?

Nem sempre, mas é frequentemente útil. Vasinhos podem ser alimentados por veias maiores com refluxo que não são visíveis, e tratá-los sem corrigir essa fonte aumenta a chance de voltarem rápido. Quando há sintomas como peso e inchaço, histórico familiar forte ou vasinhos concentrados em uma região, o exame costuma ser recomendado.

O eco-Doppler de outro serviço serve para planejar a cirurgia?

Depende da qualidade e da data. Para planejar laser, radiofrequência ou cirurgia, o laudo precisa descrever refluxo com tempos, diâmetros, junções, perfurantes e tributárias, idealmente com um desenho. Exames antigos ou incompletos costumam ser repetidos, e muitos cirurgiões fazem um mapeamento próprio perto da data do procedimento.

Referências

  1. Coleridge-Smith P et al. Duplex Ultrasound Investigation of the Veins in Chronic Venous Disease of the Lower Limbs — UIP Consensus Document. Part I. Basic Principles. European Journal of Vascular and Endovascular Surgery, 2006
  2. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.