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Varizes Online

Varizes e doenças das veias

Classificação CEAP: em que estágio estão as suas varizes

Por Prof. Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e endovascularAtualizado em 4 min de leitura

Em resumo

A CEAP é a classificação internacional da doença venosa crônica. As letras significam Clínica, Etiologia, Anatomia e Fisiopatologia. A parte mais conhecida, a clínica, vai de C0 (sem sinais visíveis) a C6 (úlcera ativa), passando por vasinhos (C1), varizes (C2), inchaço (C3), alterações de pele (C4) e úlcera cicatrizada (C5).

A classificação CEAP é a linguagem comum que cirurgiões vasculares de todo o mundo usam para descrever a doença das veias. O nome reúne quatro dimensões: Clínica, o que se vê na perna; Etiologia, a causa; Anatomia, quais veias estão envolvidas; e Patofisiologia, se há refluxo, obstrução ou os dois. A versão atual é a revisão publicada em 2020.

Para que serve

Antes da CEAP, cada serviço descrevia as varizes de um jeito, o que dificultava comparar pacientes, resultados e pesquisas. A classificação padroniza essa descrição.

Na prática, ela ajuda a:

  • registrar o estágio da doença de forma objetiva;
  • acompanhar a evolução ao longo dos anos;
  • comunicar o quadro entre médicos e em relatórios;
  • comparar resultados de tratamentos em estudos científicos.

Relatórios médicos enviados a planos de saúde frequentemente incluem a classe CEAP para justificar a indicação de um procedimento. Para uma explicação complementar sobre como o médico aplica a classificação CEAP na consulta, vale ver o passo a passo do exame.

A classe clínica: C0 a C6

É a parte que mais interessa ao paciente. Cada classe corresponde a um sinal visível ou palpável.

Classe O que significa Como se reconhece
C0 sem sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa pernas de aparência normal
C1 telangiectasias ou veias reticulares vasinhos finos (menos de 1 mm) ou veias azuladas de 1 a 3 mm
C2 varizes veias de 3 mm ou mais, medidas em pé
C2r varizes recorrentes varizes que reapareceram após tratamento
C3 edema inchaço de origem venosa
C4a pigmentação ou eczema manchas acastanhadas, pele avermelhada e descamando
C4b lipodermatoesclerose ou atrofia branca pele endurecida acima do tornozelo; áreas esbranquiçadas e lisas
C4c coroa flebectásica leque de pequenas veias azuladas na borda do pé
C5 úlcera venosa cicatrizada cicatriz de ferida antiga
C6 úlcera venosa ativa ferida aberta
C6r úlcera ativa recorrente ferida que voltou a abrir no mesmo membro

Quando há mais de um sinal, todos podem ser registrados. Para simplificar, costuma-se citar a classe mais alta.

O que mudou em 2020

A revisão de 2020 trouxe três novidades principais:

  • C4c. A coroa flebectásica passou a ter classe própria, por estar associada a doença mais avançada.
  • Modificador r. Varizes e úlceras recorrentes ganharam as indicações C2r e C6r.
  • Nomes das veias. Na descrição anatômica detalhada, os números foram substituídos por abreviações dos nomes das veias, o que tornou os laudos mais fáceis de ler.

Sintomático ou assintomático

Depois da classe, acrescenta-se S, se há sintomas venosos, ou A, se não há. C2S indica varizes com peso, dor ou inchaço; C2A, varizes sem queixas. Os sintomas mais comuns estão descritos em sintomas de varizes.

As outras letras: E, A e P

As três últimas letras dependem da história clínica e do ecodoppler venoso.

Letra Pergunta que responde Principais opções
E, etiologia qual é a causa? Ep primária; Es secundária; Ec congênita; En sem causa identificada
A, anatomia quais veias estão envolvidas? As superficiais; Ap perfurantes; Ad profundas; An nenhuma identificada
P, fisiopatologia qual é o mecanismo? Pr refluxo; Po obstrução; Pr,o ambos; Pn nenhum identificado

A etiologia secundária inclui, por exemplo, a doença venosa que surge depois de uma trombose. A anatomia e a fisiopatologia só podem ser definidas com exame de imagem.

Um exemplo de laudo

Imagine o registro C4a,S Ep As Pr. Ele se lê assim:

  • C4a,S: a classe mais alta é pigmentação ou eczema, e a pessoa tem sintomas;
  • Ep: a doença é primária, sem outra causa identificada;
  • As: o problema está nas veias superficiais;
  • Pr: o mecanismo é refluxo.

Na versão avançada, o laudo especifica cada segmento, como a safena magna ou uma perfurante da perna. A versão básica é suficiente para a maior parte das situações do dia a dia.

O que a CEAP não diz

A classificação descreve sinais, mas tem limites:

  • Não mede a intensidade dos sintomas. Uma pessoa em C2 pode sofrer mais do que outra em C4. Para isso existem escalas de gravidade, como o VCSS, e questionários de qualidade de vida.
  • Não define sozinha o tratamento. A escolha depende do mapeamento das veias, da saúde geral e dos objetivos do paciente.
  • Não prevê o futuro com precisão. Ter varizes não significa que a doença vai chegar à úlcera, embora as classes mais altas indiquem maior risco de complicações.

Como a classe influencia o cuidado

De modo geral, quanto mais alta a classe, maior a prioridade do tratamento. Nas classes C1 e C2 sem sintomas, o tratamento costuma ser opcional ou estético. A partir de C3, e sobretudo nas classes C4 a C6, tratar o refluxo e usar compressão ajudam a proteger a pele e a reduzir o risco de feridas.

As classes C3 a C6 formam o que se chama de insuficiência venosa crônica. Os sinais das classes C4 a C6 estão detalhados em complicações das varizes e em úlcera venosa. Uma versão resumida, voltada para quem quer descobrir em qual estágio das varizes você está, também está disponível.

Perguntas frequentes

Qual é o estágio mais grave da CEAP?

Na parte clínica, o estágio mais avançado é o C6, que corresponde a uma úlcera venosa aberta. Quando a úlcera volta a abrir depois de ter cicatrizado, usa-se C6r. É importante lembrar que a CEAP descreve sinais, e não mede diretamente o sofrimento: uma pessoa em C2 pode ter mais sintomas do que outra em C4.

Varizes C2 precisam ser tratadas?

Nem sempre. O tratamento de varizes C2 é indicado principalmente quando há sintomas, quando as veias estão aumentando, quando houve complicações como tromboflebite ou sangramento, ou por desejo estético depois de uma avaliação adequada. A decisão leva em conta o ecodoppler, a idade, as condições de saúde e as preferências de cada pessoa.

O que significa a letra S ou A depois da classe?

A letra S indica que a pessoa tem sintomas atribuídos à doença venosa, como peso, dor, inchaço ou câimbras. A letra A indica que ela não tem sintomas. Assim, C2S descreve varizes com sintomas, e C2A descreve varizes sem queixas. Existe também C0S, para quem tem sintomas venosos sem nenhuma alteração visível nas pernas.

A classificação CEAP muda com o tempo?

Sim. A CEAP descreve o estado das pernas no momento da avaliação e deve ser atualizada quando surgem novos sinais ou depois de um tratamento. Quando varizes reaparecem após tratamento, a revisão de 2020 recomenda indicar a recorrência com a letra r, como em C2r.

Referências

  1. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards
  2. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.