Em resumo
A trombose venosa profunda é a formação de um coágulo dentro de uma veia profunda, quase sempre da perna. Pode causar inchaço, dor e calor em um membro, mas também pode não dar sintomas. O maior perigo imediato é a embolia pulmonar, e o tratamento se baseia em anticoagulação por, no mínimo, alguns meses.
Trombose venosa profunda, ou TVP, é a formação de um coágulo dentro de uma veia do sistema profundo, na grande maioria das vezes na panturrilha, na coxa ou na pelve. Pode causar inchaço, dor e calor em uma perna, mas também pode ser silenciosa. É uma situação que exige avaliação no mesmo dia, porque o coágulo pode se soltar e chegar ao pulmão. Com diagnóstico precoce e anticoagulação, a maioria das pessoas se recupera bem.
Veias profundas e superficiais
As pernas têm dois sistemas de veias. As superficiais correm logo abaixo da pele, e é nelas que se formam as varizes. As profundas acompanham as artérias entre os músculos e transportam a maior parte do sangue de volta ao coração.
Um coágulo nas veias superficiais é chamado de tromboflebite e, em geral, é menos grave. Um coágulo nas veias profundas é a TVP, que tem mais potencial de complicação. O panorama da trombose venosa profunda ajuda a visualizar essa diferença.
Por que o coágulo se forma
Três condições favorecem a trombose, e costumam agir juntas: sangue parado nas veias, lesão da parede da veia e sangue mais propenso a coagular. Na prática, os fatores de risco mais relevantes são:
| Grupo | Exemplos |
|---|---|
| Imobilidade | Internação, repouso prolongado, gesso ou imobilização da perna, viagens longas |
| Cirurgia e trauma | Cirurgias ortopédicas de quadril e joelho, grandes cirurgias abdominais, fraturas |
| Hormônios | Anticoncepcionais com estrogênio, reposição hormonal, gestação e pós-parto |
| Doenças | Câncer e seu tratamento, insuficiência cardíaca, doenças inflamatórias, infecções graves |
| Características pessoais | Trombose prévia, histórico familiar, trombofilias, obesidade, idade mais avançada |
O risco de cada pessoa é a soma desses fatores. Uma viagem longa, por exemplo, pesa pouco em alguém saudável e bem mais em quem usa anticoncepcional hormonal e já teve trombose. Alterações hereditárias ou adquiridas da coagulação estão detalhadas em exames e tipos de trombofilia.
Sinais e sintomas
Os sinais mais típicos aparecem em uma perna só:
- inchaço, principalmente da panturrilha ou de toda a perna;
- dor ou sensação de endurecimento na panturrilha, que pode piorar ao andar ou ao dobrar o pé para cima;
- calor e vermelhidão, ou cor arroxeada;
- veias superficiais mais visíveis que o habitual.
Parte das tromboses não causa sintomas perceptíveis e só é descoberta por exame ou quando já há embolia. Por isso, quem está em situação de risco, como após cirurgia, deve valorizar qualquer alteração.
Embolia pulmonar
A complicação imediata mais grave é a embolia pulmonar: um fragmento do coágulo se solta, percorre as veias até o coração e obstrui artérias do pulmão. Pode ser leve ou fatal, e às vezes é a primeira manifestação de uma TVP que não deu sinais. Os sintomas são descritos em embolia pulmonar e seus sintomas.
Procure atendimento imediato se tiver inchaço de uma perna só, dor ou endurecimento na panturrilha ou na coxa, perna arroxeada, falta de ar que começa de repente, dor no peito que piora ao respirar, tosse com sangue, coração acelerado, tontura ou desmaio. Não espere a consulta de rotina e não massageie a perna.
Como o diagnóstico é feito
Probabilidade clínica
O médico começa estimando a probabilidade de trombose a partir da história e do exame, muitas vezes com escores padronizados, como o de Wells. Essa estimativa define os passos seguintes.
D-dímero
O D-dímero é um exame de sangue que mede fragmentos da dissolução de coágulos. É muito sensível, mas pouco específico: aumenta também com idade, gestação, infecção, cirurgia recente e câncer. Seu grande valor é negativo. Em quem tem probabilidade baixa, um D-dímero normal praticamente afasta trombose. Um resultado alterado, sozinho, não confirma nada.
Ultrassom com Doppler
O eco-Doppler venoso é o exame de escolha para confirmar ou afastar a TVP. O examinador comprime as veias com o transdutor: uma veia saudável colapsa, e uma veia com trombo não. O exame também mostra a extensão do coágulo, o que orienta o tratamento. Em tromboses da pelve ou do abdome, podem ser necessárias tomografia ou ressonância.
Tratamento
Anticoagulação
A base do tratamento é o anticoagulante. Ele não dissolve o coágulo já formado: impede que cresça e que se formem novos, enquanto o próprio organismo reabsorve o trombo ao longo de semanas e meses.
As opções incluem anticoagulantes orais diretos, heparinas injetáveis e antagonistas da vitamina K, como a varfarina. A escolha considera função renal, peso, câncer, gestação, outros remédios e o risco de sangramento de cada pessoa. A duração mínima costuma ser de três meses. Depois disso, o médico avalia se o tratamento deve parar ou continuar por tempo prolongado, o que depende principalmente de a trombose ter tido uma causa passageira ou não.
Durante a anticoagulação, sangramentos importantes, fezes escurecidas ou sangue na urina devem ser comunicados imediatamente.
Retirada do trombo
Em situações selecionadas, como tromboses extensas da coxa e da pelve em pacientes jovens ou tromboses que ameaçam a circulação da perna, pode ser indicada a remoção ou dissolução do coágulo por cateter. Não é o tratamento padrão para a maioria dos casos.
Filtro de veia cava
O filtro é reservado a quem tem trombose e não pode receber anticoagulante, por exemplo por sangramento ativo. Não substitui a anticoagulação quando ela é possível.
Movimento e compressão
Caminhar é incentivado depois de iniciado o anticoagulante. A meia de compressão costuma ser indicada para aliviar inchaço e dor. Seu papel na prevenção de sequelas a longo prazo é discutido e decidido caso a caso.
Síndrome pós-trombótica
Mesmo com tratamento correto, parte das pessoas desenvolve síndrome pós-trombótica nos meses ou anos seguintes. O trombo pode lesar as válvulas das veias profundas ou deixar a veia parcialmente obstruída, e a pressão venosa da perna permanece alta.
O resultado é um quadro de insuficiência venosa crônica: inchaço persistente, peso, escurecimento da pele e, nos casos mais graves, úlcera venosa. As medidas que ajudam a reduzir esse risco estão em como evitar a síndrome pós-trombótica. Anticoagulação adequada desde o início e controle de peso fazem parte delas.
Viagens longas
Viagens de mais de quatro horas, de avião, carro ou ônibus, aumentam discretamente o risco de trombose. Para a maioria das pessoas, bastam medidas simples: levantar e caminhar a cada uma ou duas horas quando possível, movimentar os tornozelos sentado e evitar ficar muito tempo com as pernas dobradas.
Quem tem risco aumentado, como trombose prévia, cirurgia recente, câncer ativo, gestação ou uso de hormônios, deve conversar com o médico antes de viajar. Meias de compressão podem ser indicadas, e a prevenção com anticoagulante é reservada a situações específicas.
Na gestação
A gravidez e principalmente as semanas após o parto aumentam o risco de TVP. As particularidades do diagnóstico e do tratamento nessa fase estão em varizes na gravidez.
Perguntas frequentes
Trombose na perna pode passar sozinha?
O organismo tem mecanismos para dissolver coágulos, mas não se deve esperar que isso aconteça na trombose venosa profunda. Sem anticoagulação, o risco de o coágulo crescer e de embolia pulmonar é considerável. Qualquer suspeita precisa de avaliação no mesmo dia, com exame de ultrassom, para decidir o tratamento.
Quem teve trombose pode andar?
Na maioria dos casos, sim. Depois de iniciada a anticoagulação, caminhar é incentivado e não aumenta o risco de embolia em comparação com o repouso. O movimento ajuda a reduzir dor e inchaço. Situações específicas, como tromboses muito extensas ou pacientes instáveis, são avaliadas individualmente pela equipe médica.
Varizes causam trombose venosa profunda?
Varizes estão mais ligadas à tromboflebite, que é a trombose das veias superficiais. Estudos mostram que pessoas com varizes têm algum aumento de risco de trombose profunda, e uma tromboflebite próxima das junções com o sistema profundo pode avançar para ele. Mesmo assim, a maioria das pessoas com varizes nunca terá trombose profunda.
Preciso fazer exame de trombofilia depois de uma trombose?
Nem sempre. Quando a trombose teve uma causa clara e passageira, como uma cirurgia, os exames raramente mudam a conduta. Eles são mais considerados em tromboses sem causa aparente, em pessoas jovens, em locais incomuns, em repetição ou com histórico familiar forte. A decisão cabe ao médico que acompanha o caso.
Referências
- European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2021 Clinical Practice Guidelines on the Management of Venous Thrombosis
- Antithrombotic Therapy for VTE Disease: Second Update of the CHEST Guideline and Expert Panel Report (2021)
- American Society of Hematology 2018 guidelines for management of venous thromboembolism: diagnosis of venous thromboembolism
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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
