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Varizes Online

Varizes e doenças das veias

Insuficiência venosa crônica: causas, sintomas e tratamento

Por Prof. Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e endovascularAtualizado em 5 min de leitura

Em resumo

Insuficiência venosa crônica é a forma avançada da doença venosa, em que o retorno do sangue das pernas está tão prejudicado que surgem inchaço persistente, alterações de pele ou úlcera (classes C3 a C6 da CEAP). Pode vir de varizes antigas, de trombose prévia ou de obstrução de veias. O tratamento combina compressão, movimento, cuidado com a pele e correção do refluxo ou da obstrução.

Insuficiência venosa crônica é a fase avançada da doença das veias das pernas. Nela, o retorno do sangue ao coração está tão comprometido que a pressão elevada passa a causar inchaço persistente, alterações da pele ou úlcera. Pode ser a evolução de varizes antigas, a consequência de uma trombose ou o resultado de uma obstrução venosa. Não costuma ameaçar a vida, mas afeta muito a qualidade de vida, e há tratamento eficaz.

Doença venosa crônica e insuficiência venosa crônica

Os dois termos são usados como sinônimos no dia a dia, mas têm significados diferentes na linguagem médica.

Termo O que abrange Classes CEAP
Doença venosa crônica qualquer alteração venosa crônica, de sintomas sem sinais a úlcera C0s a C6
Insuficiência venosa crônica formas avançadas, com repercussão na pele e nos tecidos C3 a C6

Assim, vasinhos e varizes sem inchaço fazem parte da doença venosa crônica, mas ainda não configuram insuficiência venosa crônica. A explicação de cada classe está em classificação CEAP.

Por que acontece

O ponto em comum é a hipertensão venosa: a pressão nas veias da parte baixa da perna não diminui adequadamente durante a caminhada. Isso pode ter causas diferentes.

Refluxo nas veias superficiais

É a situação mais comum. Varizes com refluxo nas safenas e em seus ramos, presentes por muitos anos, sobrecarregam a circulação e acabam afetando a pele. É a forma com melhor resposta ao tratamento.

Refluxo em veias perfurantes

As veias perfurantes ligam o sistema superficial ao profundo. Quando suas válvulas falham, o sangue passa do sistema profundo para a superfície durante a contração da panturrilha, justamente na região do tornozelo. Vale entender o papel das veias perfurantes na formação de manchas e feridas.

Síndrome pós-trombótica

Depois de uma trombose venosa profunda, o coágulo pode danificar as válvulas das veias profundas ou deixar uma obstrução parcial. Meses ou anos depois, surgem inchaço, dor, varizes e alterações de pele. Mais informações em trombose venosa profunda.

Obstrução de veias no abdome

A veia ilíaca, que drena a perna, pode estar comprimida ou estreitada, mais frequentemente do lado esquerdo, onde é cruzada pela artéria ilíaca. A obstrução dificulta a saída do sangue da perna e pode causar inchaço importante, mesmo sem varizes grandes.

Falha da bomba da panturrilha

Pouca mobilidade, tornozelo rígido, obesidade e fraqueza muscular reduzem o bombeamento do sangue. Esse fator agrava qualquer uma das causas anteriores e é um dos alvos do tratamento.

Sintomas e sinais

Os sintomas são os da doença venosa em geral, mais intensos: peso, dor, cansaço, câimbras e coceira, que pioram ao longo do dia.

O que caracteriza a insuficiência venosa crônica são os sinais:

  • inchaço persistente, principalmente nos tornozelos;
  • manchas acastanhadas e eczema na parte baixa das pernas;
  • endurecimento da pele acima do tornozelo, a lipodermatoesclerose;
  • áreas esbranquiçadas e frágeis, a atrofia branca;
  • pequenas veias em leque na borda do pé;
  • úlcera, aberta ou cicatrizada.

O que cada um desses sinais significa e como evolui está explicado em complicações das varizes.

É grave?

A pergunta sobre se a insuficiência venosa pode ser fatal é comum. A resposta é que a doença raramente põe a vida em risco diretamente. O peso dela está na dor, nas feridas que demoram meses para fechar, no afastamento do trabalho e na limitação de atividades. Complicações como erisipela, sangramento e trombose podem ser sérias e devem ser tratadas com rapidez.

Diagnóstico

O exame clínico reconhece os sinais, mas a origem do problema é definida por imagem. O ecodoppler venoso mostra refluxo nas veias superficiais, perfurantes e profundas, além de sinais de trombose antiga.

Quando há suspeita de obstrução no abdome, por exemplo em inchaço importante de uma perna só ou após trombose extensa, podem ser necessários exames complementares, como angiotomografia ou angiorressonância venosa e, em casos selecionados, ultrassom dentro da veia durante um procedimento.

Tratamento

O tratamento é construído em camadas. As medidas gerais valem para todos; os procedimentos dependem da causa identificada.

Compressão

A compressão é a base do tratamento da insuficiência venosa crônica. Reduz o inchaço, alivia os sintomas, ajuda a cicatrizar úlceras e diminui a chance de que voltem. Pode ser feita com meias elásticas ou com bandagens e sistemas de compressão inelástica, sobretudo quando há ferida. Os tipos, graus e cuidados estão em meias de compressão.

Movimento

Caminhar todos os dias e fazer exercícios que movimentem o tornozelo e contraiam a panturrilha melhoram o bombeamento do sangue. Em pessoas com tornozelo rígido, a fisioterapia para recuperar a mobilidade tem efeito direto sobre a circulação venosa.

Elevação das pernas e controle do peso

Elevar as pernas acima do nível do coração por alguns períodos ao longo do dia diminui o inchaço. Perder peso reduz a pressão no abdome e facilita o retorno venoso.

Cuidados com a pele

Hidratar a pele diariamente, tratar o eczema no início e evitar pomadas e cremes sem orientação ajudam a prevenir feridas. A pele venosa tem mais tendência a desenvolver alergia de contato.

Medicamentos

Os medicamentos flebotônicos podem aliviar sintomas como peso, dor e inchaço. Eles não substituem a compressão nem corrigem o refluxo. Antibióticos são usados apenas quando há infecção.

Tratamento do refluxo superficial

Quando o ecodoppler mostra refluxo nas safenas ou em seus ramos, tratá-lo com laser endovenoso, radiofrequência, espuma ou cirurgia reduz a pressão na parte baixa da perna. Estudos mostram que, em pessoas com úlcera venosa, esse tratamento acelera a cicatrização e diminui a recorrência. As opções estão comparadas em tratamentos.

Mesmo quando também há alteração nas veias profundas, tratar o refluxo superficial pode trazer benefício, e a indicação é avaliada caso a caso.

Tratamento da obstrução profunda

Em pessoas selecionadas com obstrução importante da veia ilíaca e sintomas limitantes, a angioplastia com implante de stent pode restabelecer a drenagem da perna. É um procedimento especializado, indicado após investigação detalhada.

Tratamento das úlceras

A úlcera exige compressão adequada, curativos apropriados, controle de infecção e tratamento da causa venosa. O acompanhamento é feito em conjunto com o cirurgião vascular.

Acompanhamento

A insuficiência venosa crônica é uma condição de longo prazo. Mesmo depois de tratada, a pele continua mais sensível, e a compressão costuma ser mantida em pelo menos parte do tempo. Revisões periódicas permitem identificar novas veias com refluxo antes que causem feridas.

Um guia sobre insuficiência venosa crônica com causas, sintomas e tratamentos complementa essas informações para quem convive com a doença.

Perguntas frequentes

Insuficiência venosa crônica tem cura?

A doença venosa crônica não tem cura no sentido de desaparecer para sempre, mas pode ser muito bem controlada. Tratar o refluxo ou a obstrução, usar compressão e manter a panturrilha ativa reduzem o inchaço, aliviam os sintomas e diminuem o risco de úlcera. Algumas alterações de pele, como manchas antigas, costumam melhorar apenas em parte.

Qual a diferença entre varizes e insuficiência venosa crônica?

Varizes são veias superficiais dilatadas e correspondem à classe C2 da CEAP. Insuficiência venosa crônica é o nome dado às fases mais avançadas da doença venosa, com inchaço, alterações de pele ou úlcera, nas classes C3 a C6. Muitas pessoas com varizes nunca desenvolvem insuficiência venosa crônica, e ela também pode surgir sem varizes visíveis, como após uma trombose.

Insuficiência venosa crônica é fatal?

Por si só, raramente ameaça a vida. O impacto principal está na qualidade de vida, com dor, inchaço, feridas de cicatrização lenta e limitações nas atividades. Complicações como infecções de pele, sangramento de varizes e trombose podem, porém, ser sérias, e por isso a doença merece acompanhamento regular.

Meia elástica resolve a insuficiência venosa?

A meia de compressão é um dos pilares do tratamento: reduz o inchaço, alivia os sintomas e ajuda a cicatrizar e a prevenir úlceras. Ela não corrige a causa do problema, então funciona enquanto é usada. Por isso costuma ser combinada com o tratamento do refluxo, quando indicado, e com exercícios para a panturrilha.

Referências

  1. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs
  2. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.