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Tratamentos

Escleroterapia com espuma: para quais varizes serve e o que esperar

Por Prof. Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e endovascularAtualizado em 5 min de leitura

Em resumo

Na escleroterapia com espuma, um medicamento esclerosante misturado a ar ou gás é injetado na variz sob visão do ultrassom, desloca o sangue e fecha a veia. É útil em varizes recidivadas, tributárias tortuosas, veias próximas a feridas e em pessoas que não podem passar por procedimentos maiores; em safenas calibrosas, a chance de a veia reabrir é maior que com laser ou radiofrequência.

A escleroterapia com espuma fecha varizes com um medicamento injetado dentro da veia. O esclerosante, no Brasil geralmente o polidocanol, é misturado a ar ou a uma mistura de gases até formar uma espuma fina, que desloca o sangue, entra em contato com a parede da veia e provoca o seu fechamento. Guiada por ultrassom, a técnica alcança veias que não se veem na pele e dispensa cortes e anestesia na maior parte dos casos.

Como a espuma age

Na forma líquida, o esclerosante se dilui rapidamente no sangue, o que limita a sua ação a veias finas, como os vasinhos tratados na escleroterapia convencional. Transformado em espuma, o mesmo medicamento ocupa volume, empurra o sangue para fora do segmento e permanece mais tempo em contato com a parede interna. Isso permite tratar veias mais calibrosas com menor quantidade de medicamento.

A lesão da parede leva à inflamação e ao fechamento da veia, que nas semanas seguintes vira um cordão fibroso e é absorvida. O sangue passa a circular por veias saudáveis.

O preparo da espuma

O método mais difundido, descrito por Tessari, usa duas seringas conectadas por uma torneira de três vias. O médico faz a mistura passar de uma seringa para a outra repetidas vezes, com proporção definida de líquido e gás, até obter uma espuma homogênea. Existem também espumas produzidas por dispositivos específicos. O importante para você é que a espuma é preparada na hora e aplicada em volumes controlados.

Guiada por ultrassom

Para varizes que não estão logo abaixo da pele, a aplicação é feita com o ultrassom: o médico vê a agulha entrar na veia, acompanha a espuma se espalhando e confirma que ela ocupou o segmento desejado. Em seguida, costuma comprimir a região e elevar a perna por alguns minutos. O mapeamento prévio com eco-Doppler venoso define quais veias serão tratadas e por onde começar.

Um vídeo e uma explicação sobre como funciona a aplicação de espuma mostram o procedimento como ele acontece no consultório.

Quando a espuma é uma boa escolha

A espuma tem lugar próprio no tratamento das varizes, e não é apenas uma versão simplificada da cirurgia. Ela costuma ser considerada em situações como estas:

  • Varizes que voltaram após cirurgia ou laser: veias recidivadas costumam ser tortuosas e ramificadas, difíceis de alcançar com cateter e com cicatrizes que dificultam uma nova cirurgia.
  • Tributárias tortuosas: ramos que saem da safena e fazem curvas, onde o cateter não passa.
  • Veias perfurantes e veias próximas a feridas: no tratamento da úlcera venosa, fechar as veias que alimentam a região da ferida ajuda a cicatrização, sem incisões em pele frágil.
  • Pessoas que não podem ou não querem cirurgia: idade avançada, outras doenças que aumentam o risco de anestesia ou dificuldade de afastamento.
  • Complemento de outras técnicas: depois de fechar a safena com laser endovenoso ou radiofrequência, a espuma trata as varizes que restaram.

Limitações

A principal limitação aparece nas safenas de grande calibre. Nelas, a chance de a veia reabrir parcialmente com o tempo, a chamada recanalização, é maior com espuma do que com as técnicas térmicas. Por isso as diretrizes europeias colocam o laser e a radiofrequência como primeira opção para safenas com refluxo, e a espuma como alternativa quando essas técnicas não são adequadas.

Outras limitações práticas:

  • pode ser necessária mais de uma sessão para fechar toda a extensão das veias;
  • há um limite de volume de espuma por sessão, o que em pernas com muitas varizes divide o tratamento em etapas;
  • o resultado estético em varizes grossas pode demorar, porque o cordão fibroso leva semanas a meses para ser absorvido.

A leitura sobre a espuma que fecha varizes explicada aprofunda essas diferenças com outros exemplos.

Quem precisa de cuidado antes da espuma

Algumas situações contraindicam a espuma ou pedem avaliação mais detalhada antes da aplicação:

  • Alergia conhecida ao esclerosante.
  • Trombose venosa profunda ou embolia pulmonar recentes.
  • Imobilidade ou impossibilidade de caminhar após a sessão.
  • Gestação, período em que o tratamento costuma ser adiado.
  • Infecção na pele da região a tratar.
  • Histórico de enxaqueca com aura, AVC ou comunicação conhecida entre os lados do coração, que exigem discussão individual sobre volume de espuma e cuidados durante a aplicação.
  • Trombofilias, que podem justificar medidas preventivas.

Nenhuma dessas condições é detalhe: informe-as mesmo que o motivo da consulta pareça apenas estético.

Como é o dia da aplicação

A sessão costuma durar de 20 a 40 minutos. Não há necessidade de jejum ou anestesia na maioria dos casos; a picada é feita com agulha fina. Depois da aplicação, a perna é enfaixada ou vestida com meia, e você é orientado a caminhar. A maior parte das pessoas retoma a rotina no mesmo dia ou no dia seguinte, evitando esforço intenso por alguns dias.

A compressão após a espuma é usada por muitas equipes por períodos que vão de dias a algumas semanas, conforme o calibre das veias. Detalhes sobre modelos e uso estão em meias de compressão.

Efeitos esperados e efeitos adversos

Frequentes e em geral passageiros

  • Endurecimento e sensibilidade da veia tratada: a veia fechada vira um cordão palpável, às vezes dolorido, que amolece com o tempo.
  • Coágulos retidos: sangue que fica aprisionado no segmento fechado, formando nódulos sensíveis. O médico pode drená-los com uma pequena punção, o que alivia a dor e reduz manchas.
  • Escurecimento da pele (hiperpigmentação): manchas acastanhadas sobre o trajeto tratado, que costumam clarear ao longo de meses.
  • Inflamação da veia: vermelhidão e dor locais, semelhantes a uma tromboflebite, controladas com medidas simples orientadas pela equipe.

Pouco frequentes

  • Novos vasinhos finos ao redor da área tratada, chamados de matting.
  • Distúrbios visuais passageiros, como pontos brilhantes ou visão borrada por minutos, e dor de cabeça semelhante à enxaqueca, que podem ocorrer logo após a aplicação.
  • Trombose venosa profunda, rara quando se respeitam volumes e técnica.
  • Reação alérgica ao esclerosante.

Raríssimos

Eventos neurológicos semelhantes a um acidente vascular transitório já foram descritos, principalmente em pessoas com comunicação entre os lados do coração, como o forame oval patente. Por isso, histórico de enxaqueca com aura, AVC, trombose e alergias deve ser informado na consulta.

Sinais como dor e inchaço na panturrilha, falta de ar, dor no peito ou alteração neurológica persistente após a aplicação pedem avaliação médica imediata.

Perguntas frequentes

A espuma para varizes é a mesma aplicação de vasinhos?

O princípio é parecido, mas o alvo e a forma são diferentes. Nos vasinhos, o esclerosante costuma ser usado na forma líquida, em agulhas finas, olhando a pele. Na espuma para varizes, o medicamento é transformado em espuma e injetado em veias maiores, geralmente com orientação do ultrassom, para alcançar veias que não se veem na superfície.

Quantas sessões de espuma são necessárias?

Varia com o número, o calibre e a extensão das veias tratadas. Varizes pequenas e localizadas podem fechar em uma sessão; veias mais grossas ou numerosas costumam precisar de retoques. O ultrassom de controle mostra se a veia fechou por completo ou se algum segmento precisa de nova aplicação, com intervalo definido pela equipe.

A espuma deixa manchas na pele?

Pode deixar. O escurecimento da pele sobre a veia tratada é um dos efeitos mais comuns e costuma clarear ao longo de meses, embora em algumas pessoas demore mais. A drenagem de coágulos retidos na veia, evitar sol intenso na região e usar a compressão indicada estão entre as medidas que ajudam a reduzir esse efeito.

Escleroterapia com espuma é segura?

Quando bem indicada e feita com volumes controlados, é considerada segura. Os efeitos mais comuns são locais: manchas, endurecimento e inflamação da veia tratada. Distúrbios visuais passageiros, dor de cabeça semelhante à enxaqueca e trombose venosa profunda são pouco frequentes, e eventos neurológicos graves são raríssimos. Histórico de trombose e alergias deve ser informado antes.

Referências

  1. European guidelines for sclerotherapy in chronic venous disorders
  2. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.