Em resumo
Na escleroterapia com espuma, um medicamento esclerosante misturado a ar ou gás é injetado na variz sob visão do ultrassom, desloca o sangue e fecha a veia. É útil em varizes recidivadas, tributárias tortuosas, veias próximas a feridas e em pessoas que não podem passar por procedimentos maiores; em safenas calibrosas, a chance de a veia reabrir é maior que com laser ou radiofrequência.
A escleroterapia com espuma fecha varizes com um medicamento injetado dentro da veia. O esclerosante, no Brasil geralmente o polidocanol, é misturado a ar ou a uma mistura de gases até formar uma espuma fina, que desloca o sangue, entra em contato com a parede da veia e provoca o seu fechamento. Guiada por ultrassom, a técnica alcança veias que não se veem na pele e dispensa cortes e anestesia na maior parte dos casos.
Como a espuma age
Na forma líquida, o esclerosante se dilui rapidamente no sangue, o que limita a sua ação a veias finas, como os vasinhos tratados na escleroterapia convencional. Transformado em espuma, o mesmo medicamento ocupa volume, empurra o sangue para fora do segmento e permanece mais tempo em contato com a parede interna. Isso permite tratar veias mais calibrosas com menor quantidade de medicamento.
A lesão da parede leva à inflamação e ao fechamento da veia, que nas semanas seguintes vira um cordão fibroso e é absorvida. O sangue passa a circular por veias saudáveis.
O preparo da espuma
O método mais difundido, descrito por Tessari, usa duas seringas conectadas por uma torneira de três vias. O médico faz a mistura passar de uma seringa para a outra repetidas vezes, com proporção definida de líquido e gás, até obter uma espuma homogênea. Existem também espumas produzidas por dispositivos específicos. O importante para você é que a espuma é preparada na hora e aplicada em volumes controlados.
Guiada por ultrassom
Para varizes que não estão logo abaixo da pele, a aplicação é feita com o ultrassom: o médico vê a agulha entrar na veia, acompanha a espuma se espalhando e confirma que ela ocupou o segmento desejado. Em seguida, costuma comprimir a região e elevar a perna por alguns minutos. O mapeamento prévio com eco-Doppler venoso define quais veias serão tratadas e por onde começar.
Um vídeo e uma explicação sobre como funciona a aplicação de espuma mostram o procedimento como ele acontece no consultório.
Quando a espuma é uma boa escolha
A espuma tem lugar próprio no tratamento das varizes, e não é apenas uma versão simplificada da cirurgia. Ela costuma ser considerada em situações como estas:
- Varizes que voltaram após cirurgia ou laser: veias recidivadas costumam ser tortuosas e ramificadas, difíceis de alcançar com cateter e com cicatrizes que dificultam uma nova cirurgia.
- Tributárias tortuosas: ramos que saem da safena e fazem curvas, onde o cateter não passa.
- Veias perfurantes e veias próximas a feridas: no tratamento da úlcera venosa, fechar as veias que alimentam a região da ferida ajuda a cicatrização, sem incisões em pele frágil.
- Pessoas que não podem ou não querem cirurgia: idade avançada, outras doenças que aumentam o risco de anestesia ou dificuldade de afastamento.
- Complemento de outras técnicas: depois de fechar a safena com laser endovenoso ou radiofrequência, a espuma trata as varizes que restaram.
Limitações
A principal limitação aparece nas safenas de grande calibre. Nelas, a chance de a veia reabrir parcialmente com o tempo, a chamada recanalização, é maior com espuma do que com as técnicas térmicas. Por isso as diretrizes europeias colocam o laser e a radiofrequência como primeira opção para safenas com refluxo, e a espuma como alternativa quando essas técnicas não são adequadas.
Outras limitações práticas:
- pode ser necessária mais de uma sessão para fechar toda a extensão das veias;
- há um limite de volume de espuma por sessão, o que em pernas com muitas varizes divide o tratamento em etapas;
- o resultado estético em varizes grossas pode demorar, porque o cordão fibroso leva semanas a meses para ser absorvido.
A leitura sobre a espuma que fecha varizes explicada aprofunda essas diferenças com outros exemplos.
Quem precisa de cuidado antes da espuma
Algumas situações contraindicam a espuma ou pedem avaliação mais detalhada antes da aplicação:
- Alergia conhecida ao esclerosante.
- Trombose venosa profunda ou embolia pulmonar recentes.
- Imobilidade ou impossibilidade de caminhar após a sessão.
- Gestação, período em que o tratamento costuma ser adiado.
- Infecção na pele da região a tratar.
- Histórico de enxaqueca com aura, AVC ou comunicação conhecida entre os lados do coração, que exigem discussão individual sobre volume de espuma e cuidados durante a aplicação.
- Trombofilias, que podem justificar medidas preventivas.
Nenhuma dessas condições é detalhe: informe-as mesmo que o motivo da consulta pareça apenas estético.
Como é o dia da aplicação
A sessão costuma durar de 20 a 40 minutos. Não há necessidade de jejum ou anestesia na maioria dos casos; a picada é feita com agulha fina. Depois da aplicação, a perna é enfaixada ou vestida com meia, e você é orientado a caminhar. A maior parte das pessoas retoma a rotina no mesmo dia ou no dia seguinte, evitando esforço intenso por alguns dias.
A compressão após a espuma é usada por muitas equipes por períodos que vão de dias a algumas semanas, conforme o calibre das veias. Detalhes sobre modelos e uso estão em meias de compressão.
Efeitos esperados e efeitos adversos
Frequentes e em geral passageiros
- Endurecimento e sensibilidade da veia tratada: a veia fechada vira um cordão palpável, às vezes dolorido, que amolece com o tempo.
- Coágulos retidos: sangue que fica aprisionado no segmento fechado, formando nódulos sensíveis. O médico pode drená-los com uma pequena punção, o que alivia a dor e reduz manchas.
- Escurecimento da pele (hiperpigmentação): manchas acastanhadas sobre o trajeto tratado, que costumam clarear ao longo de meses.
- Inflamação da veia: vermelhidão e dor locais, semelhantes a uma tromboflebite, controladas com medidas simples orientadas pela equipe.
Pouco frequentes
- Novos vasinhos finos ao redor da área tratada, chamados de matting.
- Distúrbios visuais passageiros, como pontos brilhantes ou visão borrada por minutos, e dor de cabeça semelhante à enxaqueca, que podem ocorrer logo após a aplicação.
- Trombose venosa profunda, rara quando se respeitam volumes e técnica.
- Reação alérgica ao esclerosante.
Raríssimos
Eventos neurológicos semelhantes a um acidente vascular transitório já foram descritos, principalmente em pessoas com comunicação entre os lados do coração, como o forame oval patente. Por isso, histórico de enxaqueca com aura, AVC, trombose e alergias deve ser informado na consulta.
Sinais como dor e inchaço na panturrilha, falta de ar, dor no peito ou alteração neurológica persistente após a aplicação pedem avaliação médica imediata.
Perguntas frequentes
A espuma para varizes é a mesma aplicação de vasinhos?
O princípio é parecido, mas o alvo e a forma são diferentes. Nos vasinhos, o esclerosante costuma ser usado na forma líquida, em agulhas finas, olhando a pele. Na espuma para varizes, o medicamento é transformado em espuma e injetado em veias maiores, geralmente com orientação do ultrassom, para alcançar veias que não se veem na superfície.
Quantas sessões de espuma são necessárias?
Varia com o número, o calibre e a extensão das veias tratadas. Varizes pequenas e localizadas podem fechar em uma sessão; veias mais grossas ou numerosas costumam precisar de retoques. O ultrassom de controle mostra se a veia fechou por completo ou se algum segmento precisa de nova aplicação, com intervalo definido pela equipe.
A espuma deixa manchas na pele?
Pode deixar. O escurecimento da pele sobre a veia tratada é um dos efeitos mais comuns e costuma clarear ao longo de meses, embora em algumas pessoas demore mais. A drenagem de coágulos retidos na veia, evitar sol intenso na região e usar a compressão indicada estão entre as medidas que ajudam a reduzir esse efeito.
Escleroterapia com espuma é segura?
Quando bem indicada e feita com volumes controlados, é considerada segura. Os efeitos mais comuns são locais: manchas, endurecimento e inflamação da veia tratada. Distúrbios visuais passageiros, dor de cabeça semelhante à enxaqueca e trombose venosa profunda são pouco frequentes, e eventos neurológicos graves são raríssimos. Histórico de trombose e alergias deve ser informado antes.
Referências
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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
