Em resumo
Tromboflebite, ou trombose venosa superficial, é a formação de um coágulo com inflamação em uma veia logo abaixo da pele, frequentemente uma variz. Aparece como um cordão vermelho, duro e dolorido. Na maioria das vezes evolui bem, mas precisa de ultrassom, porque pode coexistir com trombose profunda ou avançar em direção a ela.
Tromboflebite é a formação de um coágulo, acompanhado de inflamação, em uma veia superficial. Na perna, costuma aparecer como um cordão vermelho, quente, endurecido e dolorido, muitas vezes sobre uma variz. A maioria dos casos evolui bem com medidas simples. A avaliação com ultrassom, porém, é necessária, porque o trombo pode estar perto das veias profundas, avançar em direção a elas ou coexistir com uma trombose profunda.
O que é a trombose venosa superficial
O nome técnico atual é trombose venosa superficial. O termo tromboflebite continua muito usado e descreve bem o que se vê: trombo (coágulo) e flebite (inflamação da veia).
A veia superficial fica logo abaixo da pele. Quando se forma um coágulo dentro dela, a parede e o tecido ao redor inflamam, o que explica a dor e a vermelhidão. A explicação sobre a inflamação e coágulo nas veias superficiais mostra como esse processo se apresenta.
Onde e por que acontece
Em varizes
É a situação mais comum. Dentro da variz, o sangue circula devagar e em sentido desordenado, o que favorece a coagulação. Por isso a tromboflebite é considerada uma das complicações das varizes. O texto sobre quando as varizes favorecem a trombose discute essa relação.
Em veias normais
Tromboflebite em veia sem variz, sem causa evidente, merece mais investigação. Pode estar associada a trombofilias, a câncer ainda não diagnosticado, a doenças inflamatórias dos vasos ou ao uso de hormônios. Episódios que aparecem em lugares diferentes, um após o outro, a chamada tromboflebite migratória, são um sinal de alerta.
Nos braços
No braço, a causa mais frequente é a punção venosa, o cateter ou a infusão de medicamentos irritantes. Esse quadro, a flebite causada por soro ou cateter, costuma ter evolução diferente da tromboflebite das pernas.
Outros fatores
Os mesmos fatores que aumentam o risco de trombose profunda aumentam o de tromboflebite: gestação e pós-parto, anticoncepcional com estrogênio, imobilização, cirurgia recente, obesidade e trombose prévia.
Sintomas
- cordão endurecido e palpável ao longo de uma veia;
- vermelhidão e calor sobre o trajeto;
- dor ao toque, que pode ser intensa nos primeiros dias;
- às vezes inchaço discreto ao redor.
Febre alta, pus ou vermelhidão que se espalha de forma difusa sugerem infecção, como erisipela ou celulite, que é outro diagnóstico e tem outro tratamento.
Por que o ultrassom é indispensável
A aparência na pele não mostra até onde o trombo vai. O eco-Doppler venoso mede a extensão do coágulo, a distância até as junções com o sistema profundo e se já existe trombose profunda associada.
As junções são os pontos em que as safenas desembocam nas veias profundas: a safena magna, na virilha, e a safena parva, atrás do joelho. Um trombo que se aproxima desses pontos pode passar para o sistema profundo e, dali, chegar ao pulmão.
Estudos mostram que uma parcela não desprezível das pessoas com tromboflebite nas pernas tem trombose profunda ao mesmo tempo, às vezes na outra perna ou sem relação direta com a veia inflamada. Esse é mais um motivo para não tratar apenas pelo aspecto.
Quando a tromboflebite é mais séria
| Achado no exame | Leitura habitual | Tendência de conduta |
|---|---|---|
| Trombo curto, distante das junções, em variz | Menor risco | Medidas locais, compressão, reavaliação se piorar |
| Trombo mais extenso na safena, mas distante das junções | Risco intermediário | Anticoagulação por algumas semanas costuma ser indicada |
| Trombo muito próximo ou encostado na junção com a veia profunda | Risco semelhante ao da trombose profunda | Tratamento como trombose venosa profunda |
| Trombose profunda associada | Trombose venosa profunda | Tratamento da trombose profunda |
Os limites exatos de extensão e distância usados para decidir o tratamento seguem as diretrizes e a avaliação de cada caso. O ponto central é que tromboflebite não é sempre banal, e a conduta depende do que o exame mostra.
Procure atendimento imediato se a vermelhidão e o endurecimento subirem em direção à virilha, se surgir inchaço de toda a perna, dor na panturrilha, falta de ar repentina, dor no peito ao respirar, tosse com sangue ou febre alta. Esses sinais sugerem avanço para o sistema profundo, embolia pulmonar ou infecção.
Tratamento
Medidas locais
Nos casos de menor risco, o tratamento busca aliviar a inflamação:
- compressas mornas sobre a região;
- anti-inflamatórios ou analgésicos, quando o médico considerar seguros para aquela pessoa;
- meia de compressão, que costuma reduzir a dor depois dos primeiros dias;
- caminhada, em vez de repouso na cama.
Anticoagulação
Quando o trombo é extenso ou está em veia importante, como a safena, o anticoagulante reduz o risco de progressão para o sistema profundo e de embolia. O tipo, a dose e a duração são decididos pelo médico conforme a extensão e a localização, e o risco de sangramento de cada pessoa.
Se o trombo está junto à junção com a veia profunda, ou se há trombose profunda associada, o tratamento segue as regras da trombose venosa profunda.
Procedimentos na fase aguda
Em situações selecionadas, pode-se drenar o coágulo de uma variz muito dolorida por uma pequena punção, com alívio rápido da dor. A ligadura cirúrgica de urgência da junção tem indicação cada vez mais restrita, porque a anticoagulação costuma resolver com menos riscos.
Depois da fase aguda
Tromboflebite em varizes tende a se repetir enquanto as veias doentes permanecerem. Por isso, passada a inflamação, costuma-se discutir o tratamento definitivo, que pode ser térmico, químico ou cirúrgico conforme o mapeamento. As alternativas estão resumidas em tratamentos.
Se a tromboflebite surgiu durante o uso de anticoncepcional com estrogênio ou de reposição hormonal, a continuidade do hormônio deve ser discutida com o médico e com o ginecologista. Muitas vezes se opta por métodos sem estrogênio, que interferem menos na coagulação. A mesma conversa vale para quem planeja cirurgia ou viagem longa nas semanas seguintes ao episódio.
Quando a tromboflebite aconteceu em veia normal e sem causa clara, a investigação de trombofilia, doenças inflamatórias e câncer é discutida com o médico, de acordo com idade, histórico e exame físico.
Perguntas frequentes
Tromboflebite é o mesmo que trombose?
É um tipo de trombose, mas nas veias superficiais, que ficam logo abaixo da pele. A trombose venosa profunda ocorre nas veias entre os músculos e tem mais risco de embolia pulmonar. Como uma pode acompanhar a outra, a tromboflebite deve ser avaliada com ultrassom, mesmo quando parece pequena.
Posso massagear ou fazer drenagem na região da tromboflebite?
Não. Massagem e drenagem linfática sobre uma veia com trombo não ajudam a dissolver o coágulo e podem aumentar a dor. Compressas mornas, analgésicos indicados pelo médico, meia de compressão e caminhada são as medidas habituais. A drenagem pode ser retomada depois que o médico liberar.
O caroço endurecido na veia vai sumir?
A dor e a vermelhidão costumam melhorar em dias a poucas semanas. O endurecimento e o escurecimento da pele sobre a veia podem levar semanas ou meses para regredir, e às vezes deixam uma mancha residual. A veia que teve trombo frequentemente fica fechada ou com a parede espessada.
Quem teve tromboflebite em varizes deve operar?
A tromboflebite é um sinal de que as varizes estão causando complicação, e o tratamento das veias doentes costuma ser recomendado depois da fase aguda, para evitar novos episódios. O momento e a técnica são definidos após o controle da inflamação e com eco-Doppler atualizado.
Referências
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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
