Em resumo
O laser endovenoso fecha a veia doente por dentro: uma fibra óptica é introduzida por punção, guiada por ultrassom, e o calor sela a parede da veia, que depois é absorvida pelo organismo. É feito com anestesia local tumescente, dispensa cortes na virilha e costuma permitir caminhar no mesmo dia; é a primeira opção das diretrizes para safenas com refluxo quando a anatomia é favorável.
O laser endovenoso, também chamado de endolaser ou EVLA, trata varizes fechando por dentro a veia que tem refluxo, em geral a safena magna ou a safena parva. Não há retirada da veia nem corte na virilha: tudo é feito por uma punção, com anestesia local e acompanhamento por ultrassom. Quando o calibre e o trajeto da veia permitem, as diretrizes europeias, americanas e britânicas colocam essa técnica, ao lado da radiofrequência, como primeira escolha.
Para quem o laser endovenoso é indicado
A indicação nasce do eco-Doppler venoso. O laser é pensado para veias tronculares, isto é, veias longas e relativamente retas, que apresentam refluxo e causam sintomas ou alimentam varizes visíveis. As situações mais comuns são:
- safena magna ou parva com refluxo, associada a varizes na coxa ou na perna;
- sintomas como peso, dor, inchaço e câimbras relacionados a esse refluxo;
- alterações de pele no tornozelo ou úlcera venosa, em que tratar o refluxo ajuda a cicatrização e reduz a volta da ferida;
- algumas veias acessórias e perfurantes, conforme a anatomia.
Veias muito tortuosas, muito próximas da pele ou parcialmente ocupadas por trombos antigos podem não ser adequadas. Nesses casos, entram outras técnicas descritas na página de opções de tratamento de varizes.
Como o procedimento é feito
Punção guiada por ultrassom
Com a perna limpa e o ultrassom posicionado, o médico punciona a safena, geralmente na altura do joelho ou da perna, e introduz um cateter fino por onde passa a fibra óptica. A ponta da fibra é levada até perto da junção com o sistema profundo, mantendo uma distância de segurança dessa junção.
Anestesia tumescente
Ao redor de toda a extensão da veia é injetada uma solução anestésica bastante diluída, sempre sob visão do ultrassom. Essa anestesia tem três funções: tira a dor, comprime a veia contra a fibra, o que melhora o contato do calor com a parede, e cria uma camada de líquido que protege pele, nervos e tecidos vizinhos do aquecimento. Muitas equipes associam sedação leve para mais conforto.
A emissão do laser
Com tudo posicionado, a fibra é acionada e recuada lentamente. O calor lesa a camada interna da veia, que se contrai e fecha. Nos meses seguintes, o organismo transforma essa veia em um cordão fibroso e a absorve. O sangue que antes descia pela safena doente passa a subir pelas veias profundas e por outras veias superficiais saudáveis.
O procedimento costuma durar de meia hora a pouco mais de uma hora, dependendo de quantas veias são tratadas. Varizes tributárias podem ser removidas no mesmo tempo por microincisões. Um passo a passo da cirurgia com laser mostra a sequência como ela acontece na sala.
Comprimentos de onda e tipos de fibra
Nem todo laser endovenoso é igual. Os primeiros aparelhos usavam comprimentos de onda absorvidos principalmente pela hemoglobina do sangue. Os mais recentes atuam em comprimentos de onda absorvidos sobretudo pela água da parede da veia, como o de 1470 nm.
A fibra também mudou. As fibras de ponta simples emitiam a energia para frente; as fibras radiais distribuem a energia em círculo, de maneira mais uniforme sobre a parede. A combinação de comprimentos de onda mais longos com fibras radiais tende a causar menos dor e menos manchas roxas no pós-operatório, com eficácia mantida. Para você, isso significa que vale perguntar qual equipamento será usado, mas a experiência da equipe pesa tanto quanto o aparelho.
Onde é feito: hospital, hospital-dia ou clínica
Por usar anestesia local, o laser endovenoso pode ser realizado em ambiente ambulatorial estruturado, em hospital-dia ou em hospital, conforme a extensão do tratamento, a necessidade de sedação e as condições de saúde de cada pessoa. A regra geral é voltar para casa no mesmo dia. Há detalhes sobre o tratamento com laser em hospital-dia e sobre o que esse modelo exige em termos de segurança.
Recuperação
Em geral, você sai caminhando. A orientação é andar desde o primeiro dia, evitar ficar muito tempo parado e usar a compressão indicada pela equipe. O retorno a atividades leves costuma ocorrer em poucos dias; esforço físico intenso aguarda mais.
Algumas sensações são esperadas:
- Repuxamento ao longo da veia tratada: um cordão endurecido e sensível na coxa ou na perna, que muitas vezes piora por volta da primeira semana, quando a inflamação da veia fechada está no auge, e depois melhora.
- Manchas roxas: mais frequentes nos pontos de anestesia e onde houve retirada de varizes associadas; costumam desaparecer em algumas semanas.
- Inchaço leve: principalmente no fim do dia, nas primeiras semanas.
Os cuidados, prazos e sinais de alerta estão reunidos em pós-operatório de varizes.
Efeitos adversos possíveis
Complicações sérias são pouco frequentes, mas você deve conhecê-las:
Alteração de sensibilidade
O calor pode irritar nervos sensitivos que correm junto às safenas, principalmente abaixo do joelho. O resultado é uma área de dormência, formigamento ou sensibilidade alterada na perna ou no pé. Na maioria das vezes é temporária.
Trombose relacionada ao calor (EHIT)
Em uma parte das pessoas, o trombo que fecha a safena se estende um pouco para dentro da veia profunda, na junção. Esse achado recebe o nome de EHIT, sigla em inglês para trombose induzida pelo calor endovenoso. Quase sempre é pequeno e só aparece no ultrassom de controle; conforme a extensão, pode ser apenas acompanhado ou tratado por um período curto com anticoagulante. É por isso que muitas equipes pedem um ultrassom nos primeiros dias após o procedimento.
Trombose venosa profunda
É rara após o laser, mas possível, como em qualquer procedimento nas pernas. Dor e inchaço da panturrilha, falta de ar ou dor no peito exigem avaliação imediata. Veja os sinais em trombose venosa profunda.
Outros
Queimadura de pele é incomum quando a anestesia tumescente é bem feita. Escurecimento da pele sobre a veia tratada e pequenos nódulos endurecidos também podem ocorrer e costumam regredir.
Laser endovenoso ou cirurgia convencional
A cirurgia clássica retira a safena por incisões na virilha e na perna, com raquianestesia ou anestesia geral. O laser alcança resultados de fechamento da veia comparáveis ou superiores, com menos dor, menos hematomas e retorno mais rápido. Por isso a cirurgia tradicional ficou reservada a situações em que as técnicas endovenosas não se aplicam, discutidas em cirurgia de varizes.
Comparado à radiofrequência, o laser apresenta resultados semelhantes. A decisão entre os dois costuma depender da anatomia, da experiência da equipe e do equipamento disponível. Uma leitura complementar sobre como o laser fecha a veia doente explica o mecanismo com outros exemplos.
O laser resolve todas as varizes?
Não sozinho. O laser endovenoso trata a veia troncular com refluxo. As varizes visíveis que eram alimentadas por ela tendem a diminuir, mas muitas precisam ser removidas por microcirurgia ou fechadas com espuma, no mesmo tempo ou depois. Vasinhos são tratados à parte. E, como a doença venosa é crônica, novas veias podem surgir com os anos, o que torna o acompanhamento parte do tratamento.
Perguntas frequentes
A cirurgia de varizes com laser dói?
O procedimento é feito com anestesia local tumescente e, muitas vezes, sedação leve, de modo que a maior parte das pessoas sente apenas as picadas da anestesia. Nos dias seguintes é comum uma sensação de repuxamento ou de cordão ao longo da coxa, que costuma aumentar por volta da primeira semana e responde a analgésicos simples e caminhadas.
O laser retira a safena?
Não. A safena fica no lugar, mas fechada. O calor lesa a parede interna da veia, que se contrai e se transforma, ao longo de meses, em um cordão fibroso absorvido pelo organismo. O sangue passa a circular pelas veias profundas e por outras veias superficiais saudáveis, que dão conta do retorno venoso.
Quanto tempo depois do laser posso voltar a trabalhar?
Em trabalhos que não exigem esforço físico intenso, o retorno costuma ocorrer entre um e três dias. Atividades com carga pesada ou impacto normalmente aguardam mais tempo. O prazo depende da extensão do tratamento, de procedimentos associados, como a retirada de varizes por microincisões, e da orientação da equipe.
Qualquer pessoa pode fazer laser endovenoso?
Não. A indicação depende do eco-Doppler: a veia precisa ter refluxo, calibre e trajeto que permitam a passagem da fibra. Veias muito tortuosas, muito superficiais ou com trombos antigos podem exigir outra técnica. Gestação, trombose venosa profunda recente e dificuldade de caminhar também pedem avaliação individual antes de indicar o procedimento.
Referências
- European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs
- The 2022 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part I. Duplex Scanning and Treatment of Superficial Truncal Reflux
- NICE Clinical Guideline CG168 — Varicose veins: diagnosis and management
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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
