Em resumo
Com os anos, a pressão elevada nas veias pode causar manchas acastanhadas, eczema, endurecimento da pele e úlcera na região do tornozelo. Varizes também podem sangrar e formar coágulos com inflamação (tromboflebite). Tratar o refluxo, usar compressão e cuidar da pele reduzem o risco dessas complicações.
Varizes que permanecem por muitos anos sem cuidado podem trazer complicações que vão além da aparência. A pressão elevada dentro das veias afeta a pele e o tecido abaixo dela, o que leva a manchas, eczema, endurecimento e, nos casos avançados, a úlceras. Varizes também podem sangrar e formar coágulos. A maioria dessas complicações se desenvolve devagar e pode ser evitada ou controlada.
Por que as complicações surgem
Quando as válvulas falham, a pressão nas veias da parte baixa da perna permanece alta mesmo durante a caminhada. Esse estado é chamado de hipertensão venosa.
Com o tempo, a pressão faz com que líquido e glóbulos vermelhos passem para fora dos pequenos vasos. O líquido causa inchaço. Os glóbulos vermelhos se desfazem e deixam na pele um pigmento de ferro, a hemossiderina, responsável pelas manchas. A presença desse material estimula uma inflamação crônica que endurece a pele e o tecido gorduroso e, em algum momento, pode abrir uma ferida.
Não é por acaso que as complicações se concentram perto do tornozelo, onde a pressão venosa é maior.
Visão geral
| Complicação | Como se reconhece | Quando procurar ajuda |
|---|---|---|
| Inchaço | tornozelos inchados ao fim do dia, marca da meia | consulta de rotina |
| Manchas e eczema | manchas acastanhadas, pele avermelhada, coceira e descamação | consulta em breve |
| Lipodermatoesclerose | pele endurecida, brilhante e às vezes dolorida acima do tornozelo | consulta em breve |
| Úlcera venosa | ferida na parte baixa da perna que demora a cicatrizar | consulta em poucos dias |
| Tromboflebite | cordão vermelho, quente e doloroso no trajeto de uma variz | avaliação no mesmo dia ou no dia seguinte |
| Sangramento | sangue saindo de uma variz, às vezes em grande volume | imediatamente |
| Trombose venosa profunda | inchaço súbito e dor na panturrilha ou coxa | imediatamente |
Inchaço
O inchaço de origem venosa corresponde à classe C3 da classificação CEAP. No início, desaparece com o repouso noturno. Quando passa a ser constante, indica que a drenagem das pernas está comprometida de forma mais importante e que a pele está sob maior risco.
Manchas e eczema
As manchas acastanhadas ou arroxeadas na parte baixa das pernas são conhecidas como dermatite ocre. Elas costumam começar ao redor do tornozelo e podem subir pela perna. Há um bom material sobre as manchas escuras da dermatite ocre e as possibilidades de clareamento.
O eczema venoso, ou dermatite de estase, deixa a pele avermelhada, seca, descamando e com coceira. Coçar agrava a lesão e pode abrir pequenas feridas.
Pessoas com doença venosa têm tendência maior a desenvolver alergia de contato a componentes de pomadas, cremes e curativos. Por isso, é melhor evitar produtos por conta própria e usar apenas o que for orientado.
Lipodermatoesclerose e atrofia branca
A lipodermatoesclerose é o endurecimento da pele e da gordura logo acima do tornozelo, causado pela inflamação crônica. A perna pode ficar mais fina nessa região e mais larga acima, lembrando uma garrafa invertida. Na fase inicial, a área fica vermelha, quente e dolorida, e pode ser confundida com erisipela.
A atrofia branca aparece como áreas esbranquiçadas, lisas e deprimidas, às vezes com pequenos pontos vermelhos. É uma pele frágil, que se machuca com facilidade e cicatriza mal.
Essas duas alterações correspondem à classe C4b e indicam risco maior de úlcera.
Úlcera venosa
A úlcera venosa é uma ferida que se forma geralmente na região do tornozelo, com mais frequência na face interna. Costuma ser rasa, de bordas irregulares, e cicatriza lentamente. Pode surgir espontaneamente ou depois de um pequeno trauma na pele já fragilizada.
É a complicação mais incômoda da doença venosa, e a que mais afeta a qualidade de vida. Estudos mostram que tratar o refluxo das veias superficiais, somado à compressão, acelera a cicatrização e reduz a chance de a ferida voltar. O tratamento completo está em úlcera venosa.
Sangramento
Varizes finas e muito superficiais, especialmente perto do tornozelo, podem se romper com um pequeno trauma, ao coçar ou até espontaneamente durante o banho quente. O sangramento pode ser volumoso, porque a pressão dentro da veia é alta, e costuma assustar. É mais perigoso em pessoas idosas, que moram sozinhas ou usam anticoagulantes. Veja mais sobre quando uma variz sangra.
Procure atendimento imediato se uma variz estiver sangrando. Deite-se, eleve a perna acima do nível do coração e pressione o local com firmeza, com um pano limpo, sem soltar por pelo menos dez minutos. Não use torniquete. Se o sangramento não parar, chame o serviço de emergência.
Depois de um episódio, a variz responsável deve ser tratada, porque a chance de novo sangramento é alta.
Tromboflebite
A tromboflebite é a formação de um coágulo com inflamação dentro de uma veia superficial. Aparece como um cordão endurecido, vermelho, quente e dolorido no trajeto da veia. Varizes são o principal fator de risco.
Na maioria das vezes o quadro é localizado. Quando o coágulo está perto das junções com as veias profundas, na virilha ou atrás do joelho, ou quando é extenso, ele pode avançar para o sistema profundo. Por isso a avaliação com ecodoppler é necessária. Detalhes em tromboflebite.
Trombose venosa profunda
Estudos observacionais associam a presença de varizes a um risco maior de trombose venosa profunda. Essa associação não prova que as varizes causem a trombose, e a maioria das pessoas com varizes nunca terá o problema. Ainda assim, vale conhecer os sinais: inchaço súbito de uma perna, dor na panturrilha ou na coxa e sensação de endurecimento.
Procure atendimento imediato se tiver inchaço súbito e doloroso de uma perna, ou falta de ar e dor no peito sem outra explicação.
O tema tem página própria em trombose venosa profunda.
Infecções de pele
Pernas com inchaço crônico, eczema ou feridas ficam mais vulneráveis a infecções, como a erisipela. A pele rompida por coceira ou por fissuras entre os dedos pode servir de entrada para bactérias. Vermelhidão que se espalha, calor, febre e mal-estar exigem avaliação médica rápida.
Como reduzir o risco
As complicações não são inevitáveis. As medidas com melhor fundamento são:
- Tratar o refluxo quando há sintomas, inchaço ou alterações de pele. As técnicas atuais são pouco invasivas e estão descritas em tratamentos.
- Usar compressão conforme orientação, especialmente nas classes C3 a C6.
- Cuidar da pele com hidratação diária, sem produtos sensibilizantes, e tratar o eczema no início.
- Manter o movimento, com caminhada e exercícios de panturrilha e tornozelo.
- Controlar o peso, que influencia diretamente a pressão nas veias das pernas.
Um resumo das complicações venosas e de seus sinais ajuda a reconhecer cedo o que merece atenção. Quando os sinais de pele já estão presentes, o quadro recebe o nome de insuficiência venosa crônica e o seguimento com o cirurgião vascular deve ser regular.
Perguntas frequentes
As manchas escuras nas pernas saem depois do tratamento?
As manchas da dermatite ocre vêm de pigmento de ferro depositado na pele e costumam clarear lentamente depois que o refluxo é tratado, mas muitas vezes não desaparecem por completo. O principal benefício do tratamento é impedir que as manchas aumentem e que a pele evolua para endurecimento ou ferida. Proteção solar e cuidado com a pele ajudam.
O que fazer se uma variz sangrar?
Deite-se, eleve a perna acima do nível do coração e pressione o ponto de sangramento com firmeza, usando um pano limpo, por pelo menos dez minutos sem soltar para conferir. Não use torniquete. Depois procure atendimento, mesmo que o sangramento tenha parado, porque a variz costuma voltar a sangrar se não for tratada. Se o sangramento não ceder, chame o serviço de emergência.
Tromboflebite é perigosa?
A tromboflebite costuma ser benigna quando atinge veias pequenas e distantes das junções com o sistema profundo. Quando está perto da virilha ou atrás do joelho, ou é extensa, o coágulo pode avançar para as veias profundas. Por isso toda tromboflebite deve ser avaliada com ecodoppler, que define a extensão e a necessidade de anticoagulação.
Toda pessoa com varizes vai ter úlcera?
Não. A maioria das pessoas com varizes nunca chega a ter úlcera. O risco é maior em quem já tem inchaço persistente, manchas, endurecimento da pele, trombose prévia ou refluxo nas veias profundas, e em pessoas com obesidade ou pouca mobilidade do tornozelo. Nesses casos, tratar o refluxo e usar compressão ajuda a proteger a pele.
Referências
Continue lendo
Classificação CEAP
Entenda a classificação CEAP, revista em 2020, que o cirurgião vascular usa para descrever a doença venosa: das veias sem sinais (C0) à úlcera ativa (C6).
Úlcera venosa
A úlcera venosa é a fase mais avançada da doença venosa. Entenda as causas, o papel da compressão e por que tratar as varizes acelera a cicatrização.
Tromboflebite
Cordão vermelho, duro e doloroso na perna: o que é a tromboflebite superficial, quando ela se aproxima do sistema profundo e como costuma ser tratada.
Trombose venosa profunda (TVP)
Como reconhecer a trombose venosa profunda, quem tem mais risco, como o diagnóstico é feito com D-dímero e ultrassom e o que esperar do tratamento anticoagulante.
Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
