Pular para o conteúdo
Varizes Online

Varizes e doenças das veias

Complicações das varizes: quando a doença deixa de ser só estética

Por Prof. Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e endovascularAtualizado em 5 min de leitura

Em resumo

Com os anos, a pressão elevada nas veias pode causar manchas acastanhadas, eczema, endurecimento da pele e úlcera na região do tornozelo. Varizes também podem sangrar e formar coágulos com inflamação (tromboflebite). Tratar o refluxo, usar compressão e cuidar da pele reduzem o risco dessas complicações.

Varizes que permanecem por muitos anos sem cuidado podem trazer complicações que vão além da aparência. A pressão elevada dentro das veias afeta a pele e o tecido abaixo dela, o que leva a manchas, eczema, endurecimento e, nos casos avançados, a úlceras. Varizes também podem sangrar e formar coágulos. A maioria dessas complicações se desenvolve devagar e pode ser evitada ou controlada.

Por que as complicações surgem

Quando as válvulas falham, a pressão nas veias da parte baixa da perna permanece alta mesmo durante a caminhada. Esse estado é chamado de hipertensão venosa.

Com o tempo, a pressão faz com que líquido e glóbulos vermelhos passem para fora dos pequenos vasos. O líquido causa inchaço. Os glóbulos vermelhos se desfazem e deixam na pele um pigmento de ferro, a hemossiderina, responsável pelas manchas. A presença desse material estimula uma inflamação crônica que endurece a pele e o tecido gorduroso e, em algum momento, pode abrir uma ferida.

Não é por acaso que as complicações se concentram perto do tornozelo, onde a pressão venosa é maior.

Visão geral

Complicação Como se reconhece Quando procurar ajuda
Inchaço tornozelos inchados ao fim do dia, marca da meia consulta de rotina
Manchas e eczema manchas acastanhadas, pele avermelhada, coceira e descamação consulta em breve
Lipodermatoesclerose pele endurecida, brilhante e às vezes dolorida acima do tornozelo consulta em breve
Úlcera venosa ferida na parte baixa da perna que demora a cicatrizar consulta em poucos dias
Tromboflebite cordão vermelho, quente e doloroso no trajeto de uma variz avaliação no mesmo dia ou no dia seguinte
Sangramento sangue saindo de uma variz, às vezes em grande volume imediatamente
Trombose venosa profunda inchaço súbito e dor na panturrilha ou coxa imediatamente

Inchaço

O inchaço de origem venosa corresponde à classe C3 da classificação CEAP. No início, desaparece com o repouso noturno. Quando passa a ser constante, indica que a drenagem das pernas está comprometida de forma mais importante e que a pele está sob maior risco.

Manchas e eczema

As manchas acastanhadas ou arroxeadas na parte baixa das pernas são conhecidas como dermatite ocre. Elas costumam começar ao redor do tornozelo e podem subir pela perna. Há um bom material sobre as manchas escuras da dermatite ocre e as possibilidades de clareamento.

O eczema venoso, ou dermatite de estase, deixa a pele avermelhada, seca, descamando e com coceira. Coçar agrava a lesão e pode abrir pequenas feridas.

Pessoas com doença venosa têm tendência maior a desenvolver alergia de contato a componentes de pomadas, cremes e curativos. Por isso, é melhor evitar produtos por conta própria e usar apenas o que for orientado.

Lipodermatoesclerose e atrofia branca

A lipodermatoesclerose é o endurecimento da pele e da gordura logo acima do tornozelo, causado pela inflamação crônica. A perna pode ficar mais fina nessa região e mais larga acima, lembrando uma garrafa invertida. Na fase inicial, a área fica vermelha, quente e dolorida, e pode ser confundida com erisipela.

A atrofia branca aparece como áreas esbranquiçadas, lisas e deprimidas, às vezes com pequenos pontos vermelhos. É uma pele frágil, que se machuca com facilidade e cicatriza mal.

Essas duas alterações correspondem à classe C4b e indicam risco maior de úlcera.

Úlcera venosa

A úlcera venosa é uma ferida que se forma geralmente na região do tornozelo, com mais frequência na face interna. Costuma ser rasa, de bordas irregulares, e cicatriza lentamente. Pode surgir espontaneamente ou depois de um pequeno trauma na pele já fragilizada.

É a complicação mais incômoda da doença venosa, e a que mais afeta a qualidade de vida. Estudos mostram que tratar o refluxo das veias superficiais, somado à compressão, acelera a cicatrização e reduz a chance de a ferida voltar. O tratamento completo está em úlcera venosa.

Sangramento

Varizes finas e muito superficiais, especialmente perto do tornozelo, podem se romper com um pequeno trauma, ao coçar ou até espontaneamente durante o banho quente. O sangramento pode ser volumoso, porque a pressão dentro da veia é alta, e costuma assustar. É mais perigoso em pessoas idosas, que moram sozinhas ou usam anticoagulantes. Veja mais sobre quando uma variz sangra.

Procure atendimento imediato se uma variz estiver sangrando. Deite-se, eleve a perna acima do nível do coração e pressione o local com firmeza, com um pano limpo, sem soltar por pelo menos dez minutos. Não use torniquete. Se o sangramento não parar, chame o serviço de emergência.

Depois de um episódio, a variz responsável deve ser tratada, porque a chance de novo sangramento é alta.

Tromboflebite

A tromboflebite é a formação de um coágulo com inflamação dentro de uma veia superficial. Aparece como um cordão endurecido, vermelho, quente e dolorido no trajeto da veia. Varizes são o principal fator de risco.

Na maioria das vezes o quadro é localizado. Quando o coágulo está perto das junções com as veias profundas, na virilha ou atrás do joelho, ou quando é extenso, ele pode avançar para o sistema profundo. Por isso a avaliação com ecodoppler é necessária. Detalhes em tromboflebite.

Trombose venosa profunda

Estudos observacionais associam a presença de varizes a um risco maior de trombose venosa profunda. Essa associação não prova que as varizes causem a trombose, e a maioria das pessoas com varizes nunca terá o problema. Ainda assim, vale conhecer os sinais: inchaço súbito de uma perna, dor na panturrilha ou na coxa e sensação de endurecimento.

Procure atendimento imediato se tiver inchaço súbito e doloroso de uma perna, ou falta de ar e dor no peito sem outra explicação.

O tema tem página própria em trombose venosa profunda.

Infecções de pele

Pernas com inchaço crônico, eczema ou feridas ficam mais vulneráveis a infecções, como a erisipela. A pele rompida por coceira ou por fissuras entre os dedos pode servir de entrada para bactérias. Vermelhidão que se espalha, calor, febre e mal-estar exigem avaliação médica rápida.

Como reduzir o risco

As complicações não são inevitáveis. As medidas com melhor fundamento são:

  • Tratar o refluxo quando há sintomas, inchaço ou alterações de pele. As técnicas atuais são pouco invasivas e estão descritas em tratamentos.
  • Usar compressão conforme orientação, especialmente nas classes C3 a C6.
  • Cuidar da pele com hidratação diária, sem produtos sensibilizantes, e tratar o eczema no início.
  • Manter o movimento, com caminhada e exercícios de panturrilha e tornozelo.
  • Controlar o peso, que influencia diretamente a pressão nas veias das pernas.

Um resumo das complicações venosas e de seus sinais ajuda a reconhecer cedo o que merece atenção. Quando os sinais de pele já estão presentes, o quadro recebe o nome de insuficiência venosa crônica e o seguimento com o cirurgião vascular deve ser regular.

Perguntas frequentes

As manchas escuras nas pernas saem depois do tratamento?

As manchas da dermatite ocre vêm de pigmento de ferro depositado na pele e costumam clarear lentamente depois que o refluxo é tratado, mas muitas vezes não desaparecem por completo. O principal benefício do tratamento é impedir que as manchas aumentem e que a pele evolua para endurecimento ou ferida. Proteção solar e cuidado com a pele ajudam.

O que fazer se uma variz sangrar?

Deite-se, eleve a perna acima do nível do coração e pressione o ponto de sangramento com firmeza, usando um pano limpo, por pelo menos dez minutos sem soltar para conferir. Não use torniquete. Depois procure atendimento, mesmo que o sangramento tenha parado, porque a variz costuma voltar a sangrar se não for tratada. Se o sangramento não ceder, chame o serviço de emergência.

Tromboflebite é perigosa?

A tromboflebite costuma ser benigna quando atinge veias pequenas e distantes das junções com o sistema profundo. Quando está perto da virilha ou atrás do joelho, ou é extensa, o coágulo pode avançar para as veias profundas. Por isso toda tromboflebite deve ser avaliada com ecodoppler, que define a extensão e a necessidade de anticoagulação.

Toda pessoa com varizes vai ter úlcera?

Não. A maioria das pessoas com varizes nunca chega a ter úlcera. O risco é maior em quem já tem inchaço persistente, manchas, endurecimento da pele, trombose prévia ou refluxo nas veias profundas, e em pessoas com obesidade ou pouca mobilidade do tornozelo. Nesses casos, tratar o refluxo e usar compressão ajuda a proteger a pele.

Referências

  1. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs
  2. The 2020 update of the CEAP classification system and reporting standards

Continue lendo

Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.