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Tratamentos

Remédios para varizes: o que os flebotônicos fazem e o que não fazem

Por Prof. Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular e endovascularAtualizado em 4 min de leitura

Em resumo

Flebotônicos, também chamados de venoativos, podem reduzir discretamente o inchaço e aliviar peso, dor e câimbras da doença venosa. Eles não fazem varizes desaparecerem nem corrigem o refluxo nas veias. Cremes e géis dão sensação de alívio, mas também não tratam varizes.

Os flebotônicos, também chamados de medicamentos venoativos, podem aliviar a sensação de peso, a dor, as câimbras e o inchaço causados pela doença venosa. Eles não fazem varizes desaparecerem, não fecham vasinhos e não corrigem o refluxo nas veias. Funcionam como complemento: ajudam no conforto enquanto a causa é avaliada e, quando indicado, tratada.

O que são flebotônicos

É um grupo heterogêneo de substâncias, de origem vegetal ou sintética, usadas para sintomas de insuficiência venosa. As principais:

Grupo Substâncias Origem
Flavonoides Fração flavonoica purificada e micronizada (diosmina com hesperidina), diosmina isolada Derivados de frutas cítricas, processados industrialmente
Rutosídeos Hidroxietilrutosídeos (oxerutinas) Derivados da rutina
Saponinas Escina, do extrato de castanha-da-índia; extrato de rusco Plantas
Outros extratos Centelha-asiática, extrato de semente de uva Plantas
Sintéticos Dobesilato de cálcio Laboratório

Substâncias diferentes têm graus de evidência diferentes. Tratar todas como um único «remédio para varizes» confunde mais do que ajuda.

Como agem

Os mecanismos não são totalmente conhecidos e variam entre os grupos. Os efeitos descritos incluem aumento do tônus da parede venosa, redução da permeabilidade dos capilares, que diminui a saída de líquido para os tecidos, e redução da inflamação na parede das veias. Essa inflamação, em que glóbulos brancos se prendem ao revestimento interno dos vasos, participa das lesões de pele da insuficiência venosa crônica.

Nenhum desses efeitos devolve a função a uma válvula que já não fecha nem faz uma veia dilatada voltar ao calibre normal.

O que as pesquisas mostram

A revisão sistemática da Cochrane publicada em 2020 reuniu dezenas de estudos controlados com flebotônicos. A conclusão foi de evidência de certeza moderada de que eles reduzem discretamente o inchaço e podem melhorar alguns sintomas, como dor e sensação de peso, em comparação com placebo, sem demonstração clara de melhora na qualidade de vida. Os efeitos adversos relatados foram, em geral, leves.

Para o extrato de castanha-da-índia, outra revisão da Cochrane encontrou melhora de dor, inchaço e coceira nas pernas em estudos de curta duração, parte deles de qualidade limitada.

As diretrizes europeias de doença venosa de 2022 consideram os venoativos uma opção para aliviar sintomas e edema e admitem alguns deles como complemento no tratamento da úlcera venosa, sempre junto com a compressão e o cuidado local da ferida.

O que eles não fazem

Expectativa comum O que acontece de fato
«Secar» varizes ou vasinhos Não acontece: veias dilatadas continuam dilatadas
Evitar a necessidade de tratamento Podem aliviar sintomas, mas não corrigem o refluxo que justifica o tratamento
Prevenir trombose Não são anticoagulantes e não substituem a prevenção indicada em situações de risco
Tratar inchaço de qualquer origem Agem sobre o edema venoso; inchaço de causa cardíaca, renal ou linfática exige outra abordagem
Uso contínuo para sempre O uso costuma ser por períodos definidos, com reavaliação do benefício

Os diuréticos também não resolvem o inchaço de origem venosa: retiram líquido de forma passageira e podem causar desidratação e alterações nos sais minerais do sangue.

Efeitos adversos e interações

Em geral, os flebotônicos são bem tolerados. Os efeitos mais relatados são desconforto gastrointestinal, dor de cabeça e reações de pele. Alguns pontos pedem atenção:

  • Dobesilato de cálcio: há relatos raros de queda grave de glóbulos brancos (agranulocitose). Febre, dor de garganta ou infecções durante o uso exigem avaliação médica.
  • Castanha-da-índia: as sementes cruas e as preparações caseiras são tóxicas. O extrato padronizado pode potencializar o efeito de anticoagulantes e antiagregantes, e em pessoas com doença renal ou hepática o uso deve ser discutido com o médico.
  • Gestação e amamentação: a segurança da maioria dessas substâncias não está bem estabelecida nessas fases.
  • Produto natural não é sinônimo de seguro nem de eficaz. Chás e fórmulas caseiras não têm comprovação, como mostra o texto sobre por que remédios caseiros não funcionam.

E os cremes e géis?

Géis e pomadas para as pernas costumam conter heparinoides, escina ou substâncias refrescantes. Podem dar sensação de alívio, ajudar a absorver hematomas e reduzir o desconforto de uma tromboflebite superficial, sempre depois de avaliação médica. Não atravessam a pele em quantidade capaz de modificar uma veia dilatada e, por isso, não tratam varizes nem vasinhos. Uma análise da eficácia real dos cremes para varizes mostra o que esperar desses produtos. A massagem feita ao aplicar o creme, de baixo para cima, também contribui para a sensação de leveza.

Quando o remédio não basta

Alguns sinais indicam que o problema precisa de avaliação, e não de trocar ou dobrar o medicamento:

  • sintomas que voltam assim que o remédio é suspenso, mês após mês;
  • inchaço que passa a durar o dia todo ou atinge também o pé;
  • manchas escuras, coceira persistente ou endurecimento da pele perto do tornozelo;
  • ferida que demora a cicatrizar;
  • dor e inchaço súbitos em uma só perna, que exigem atendimento no mesmo dia.

Nessas situações, o eco-Doppler venoso costuma ser o primeiro passo para identificar de onde vem o refluxo e decidir se há indicação de tratamento.

Onde o remédio entra no tratamento

Os flebotônicos fazem mais sentido quando há sintomas que atrapalham o dia a dia e como parte de um plano que inclui movimento, controle do peso e meias de compressão quando indicadas. Se os sintomas se devem a refluxo nas safenas ou a varizes calibrosas, o alívio com remédio é parcial, e as opções que atuam sobre a causa estão reunidas em tratamentos. Um resumo das evidências sobre remédios para varizes complementa esta leitura.

Perguntas frequentes

Diosmina e hesperidina acabam com as varizes?

Não. A combinação de diosmina e hesperidina, assim como outros flebotônicos, pode reduzir discretamente o inchaço e aliviar peso, dor e câimbras, mas não fecha veias dilatadas nem corrige o refluxo. As varizes continuam presentes. O medicamento é um complemento para o conforto e não substitui o tratamento quando ele está indicado.

Castanha-da-índia funciona para varizes?

O extrato padronizado de castanha-da-índia mostrou melhora de dor, inchaço e coceira nas pernas em estudos de curta duração, mas não elimina varizes. As sementes cruas e as preparações caseiras são tóxicas e não devem ser usadas, e o extrato pode interagir com anticoagulantes. O uso deve ser orientado por um médico.

Posso tomar remédio para varizes por tempo indeterminado?

Em geral, os flebotônicos são usados por períodos definidos, com reavaliação do benefício. Se os sintomas só melhoram enquanto se toma o remédio, vale investigar a causa com eco-Doppler e discutir tratamentos que atuem sobre o refluxo. O uso prolongado sem acompanhamento pode mascarar a progressão da doença.

Pomada para varizes funciona?

Pomadas e géis podem refrescar, aliviar a sensação de peso e ajudar a absorver hematomas, mas não tratam varizes nem vasinhos, porque não atravessam a pele em quantidade capaz de modificar a veia. Parte do alívio vem da própria massagem feita durante a aplicação.

Referências

  1. Phlebotonics for venous insufficiency (Cochrane Database of Systematic Reviews, 2020)
  2. Horse chestnut seed extract for chronic venous insufficiency (Cochrane Database of Systematic Reviews, 2012)
  3. European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs

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Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.