Em resumo
A radiofrequência trata a safena doente com um cateter que aquece a parede da veia por contato, fechando-a por dentro, com anestesia local tumescente e sem cortes. Os resultados são comparáveis aos do laser endovenoso, e as duas técnicas são a primeira escolha das diretrizes quando a anatomia permite; a decisão entre elas costuma depender da equipe e do equipamento.
A radiofrequência é uma forma de ablação térmica endovenosa: um cateter introduzido na safena aquece a parede da veia de maneira controlada, e a veia se fecha por dentro. Assim como o laser endovenoso, dispensa a retirada da safena e os cortes na virilha. As duas técnicas têm resultados comparáveis e são a primeira opção das diretrizes internacionais para safenas com refluxo, quando o calibre e o trajeto da veia permitem.
Como a radiofrequência fecha a veia
O princípio é o mesmo de outras ablações térmicas: lesar a camada interna da veia doente para que ela se contraia, feche e seja absorvida pelo organismo ao longo dos meses. O que muda é a fonte de energia.
No laser, a energia luminosa sai de uma fibra óptica. Na radiofrequência, o cateter tem um elemento que se aquece e transmite o calor diretamente para a parede com a qual está em contato. Nos sistemas mais usados, o aquecimento é feito por segmentos de alguns centímetros, com temperatura e tempo controlados pelo aparelho. Terminado um segmento, o cateter é recuado e o ciclo se repete até cobrir toda a extensão da veia doente.
Esse controle automático é uma das características valorizadas no método, porque torna a entrega de energia bastante padronizada ao longo da veia. Há uma explicação ilustrada sobre a termocoagulação por radiofrequência e o que acontece com a parede da veia.
Passo a passo do procedimento
- Mapeamento: o trajeto da veia é marcado com ultrassom, com base no eco-Doppler venoso feito antes.
- Punção: a safena é puncionada, geralmente perto do joelho ou na perna, e o cateter é introduzido e posicionado a uma distância segura da junção com a veia profunda.
- Anestesia tumescente: uma solução anestésica diluída é injetada em volta da veia. Ela anestesia, aproxima a parede do cateter e protege pele e nervos do calor.
- Ablação: o aparelho aquece segmento por segmento, enquanto a veia é comprimida externamente para melhorar o contato.
- Complementos: varizes tributárias podem ser tratadas no mesmo tempo, por microincisões ou espuma.
A pessoa costuma sair caminhando, com curativos pequenos e compressão conforme o protocolo da equipe.
Radiofrequência e laser: o que muda na prática
| Aspecto | Radiofrequência | Laser endovenoso |
|---|---|---|
| Fonte de energia | Calor por contato do cateter | Energia luminosa da fibra óptica |
| Anestesia | Local tumescente | Local tumescente |
| Fechamento da veia | Alto e comparável ao do laser | Alto e comparável ao da radiofrequência |
| Dor e manchas roxas | Em geral pouca | Menores nos aparelhos de comprimento de onda longo e fibra radial |
| Veias muito tortuosas | Limitação semelhante | Limitação semelhante; fibras finas podem ajudar em alguns trajetos |
Estudos que compararam a radiofrequência com os lasers de primeira geração mostraram menos dor e menos manchas roxas com a radiofrequência. Com os lasers mais recentes, essa diferença ficou pequena. Por isso, discutir radiofrequência ou laser na prática costuma levar à mesma conclusão: a anatomia da veia e a experiência de quem executa pesam mais que o nome da técnica.
Para quem é indicada
As indicações são praticamente as mesmas do laser:
- safena magna, safena parva ou veias acessórias com refluxo documentado;
- sintomas como peso, dor, inchaço ou câimbras;
- varizes visíveis alimentadas por essa veia;
- alterações de pele ou úlcera venosa, em que corrigir o refluxo ajuda a cicatrização.
Trajetos muito tortuosos, veias muito finas ou muito superficiais e trombos antigos dentro da veia podem limitar o uso do cateter. Nesses casos, a escleroterapia com espuma, a microcirurgia ou uma combinação de técnicas podem ser mais adequadas. A visão geral está em opções de tratamento de varizes.
Situações que pedem cuidado ou outra técnica
Algumas condições não impedem necessariamente a radiofrequência, mas exigem avaliação individual ou fazem preferir outro caminho:
- Trombose venosa profunda recente, ou veias profundas que não funcionam bem: o sistema profundo precisa ser capaz de receber o sangue que deixará de passar pela safena.
- Gestação e amamentação: em geral o tratamento é adiado.
- Dificuldade de caminhar: a caminhada precoce é parte da prevenção de trombose após o procedimento.
- Doença arterial importante nas pernas: pode limitar o uso de compressão e precisa ser avaliada antes.
- Uso de anticoagulantes: não é uma contraindicação absoluta, mas o planejamento deve ser feito em conjunto com o médico que os prescreveu.
- Trombofilias e histórico de trombose: podem justificar medicação preventiva por alguns dias.
Essas informações devem ser dadas na consulta, mesmo que pareçam não ter relação com as varizes.
Recuperação e efeitos possíveis
A recuperação segue o padrão das ablações térmicas: caminhar desde o primeiro dia, retorno às atividades leves em poucos dias e esforço intenso um pouco mais tarde. Uma sensação de cordão endurecido e sensível ao longo da veia é comum na primeira ou segunda semana.
Os efeitos adversos também se parecem com os do laser:
- manchas roxas e sensibilidade no trajeto da veia;
- alteração temporária de sensibilidade na pele, por irritação de nervos próximos à safena;
- extensão do trombo para a veia profunda na junção, detectada no ultrassom de controle e, na maioria das vezes, pequena;
- trombose venosa profunda, que é rara.
Cuidados e sinais de alerta estão em pós-operatório de varizes.
Alternativas sem calor: cola e MOCA
Nos últimos anos surgiram técnicas endovenosas que fecham a safena sem calor. Por não aquecerem a veia, dispensam a anestesia tumescente ao longo do trajeto, o que reduz o número de picadas.
Adesivo de cianoacrilato
Um cateter deposita pequenas quantidades de um adesivo médico dentro da safena, enquanto a veia é comprimida por fora. A cola sela as paredes, e a veia é absorvida com o tempo. A anestesia é apenas no ponto de punção. Entre as desvantagens estão a reação inflamatória ao longo da veia, semelhante a uma flebite, que acontece em algumas pessoas, e reações de hipersensibilidade, pouco frequentes. Há mais detalhes sobre a cola aplicada dentro da veia e para quem ela costuma ser considerada.
Ablação mecanoquímica (MOCA)
Combina um fio que gira dentro da veia, lesando mecanicamente a parede, com a injeção simultânea de um esclerosante. Também dispensa tumescência. Alguns estudos sugerem taxas de fechamento um pouco menores que as das técnicas térmicas.
As diretrizes europeias consideram essas opções não térmicas como alternativas quando a ablação térmica não é adequada ou quando se quer evitar a anestesia tumescente. A disponibilidade no Brasil é restrita.
Disponibilidade e cobertura no Brasil
A radiofrequência e o laser endovenoso exigem equipamentos e cateteres específicos, e a oferta varia bastante entre cidades e serviços. A cobertura por planos de saúde também é motivo frequente de dúvida e depende do contrato e das regras vigentes. Antes de decidir, vale pedir à equipe informações claras sobre qual técnica será usada, onde será feita e quais custos estão incluídos.
Perguntas frequentes
Radiofrequência ou laser: qual é melhor para varizes?
Para fechar uma safena com refluxo, as duas técnicas têm eficácia semelhante nos estudos que as compararam, e ambas são recomendadas como primeira linha pelas diretrizes. Pequenas diferenças de dor e manchas roxas dependem muito da geração do equipamento. Na prática, a anatomia da veia e a experiência da equipe costumam pesar mais que a escolha entre os dois métodos.
A radiofrequência para varizes é feita com internação?
Em geral, não. O procedimento usa anestesia local tumescente, às vezes com sedação leve, e a pessoa costuma ir para casa no mesmo dia, caminhando. O local pode ser um hospital, um hospital-dia ou um ambiente ambulatorial preparado, conforme a extensão do tratamento e as condições de saúde.
O que é a cola para varizes?
É uma técnica que fecha a safena com um adesivo de cianoacrilato aplicado por cateter, sem calor e sem anestesia tumescente, apenas com anestesia local no ponto de punção. Pode ser uma alternativa para veias com trajeto adequado, mas tem disponibilidade restrita e pode causar reação inflamatória ao longo da veia em algumas pessoas.
Referências
- European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2022 Clinical Practice Guidelines on the Management of Chronic Venous Disease of the Lower Limbs
- The 2022 Society for Vascular Surgery, American Venous Forum, and American Vein and Lymphatic Society clinical practice guidelines for the management of varicose veins of the lower extremities. Part I. Duplex Scanning and Treatment of Superficial Truncal Reflux
Continue lendo
Laser endovenoso para varizes
Como o laser endovenoso fecha a safena doente por dentro, o que é a anestesia tumescente, quanto tempo leva a recuperação e quais efeitos são esperados.
Tratamento de varizes
Laser, radiofrequência, espuma, cirurgia, escleroterapia e meias: como cada tratamento de varizes funciona, para quem serve e como a escolha é feita.
Pós-operatório de varizes
Caminhada, meia, dor, manchas roxas e prazos típicos para trabalho, exercício, sol e viagens depois de laser, radiofrequência, espuma ou cirurgia de varizes.
Eco-Doppler venoso
O que o eco-Doppler venoso mostra, por que é feito em pé, quanto tempo leva, como se preparar e por que nenhum tratamento de varizes deveria começar sem ele.
Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual. Diagnóstico e indicação de tratamento dependem de consulta e, na doença venosa, quase sempre de eco-Doppler.
